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quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Senac Santo André-Negociação em Compras
'Fantasma do Pacaembu' assusta e expõe velha polêmica no Santos em decisão
A segunda e decisiva partida das quartas de final da Copa do Brasil entre Santos e Figueirense, nesta quinta-feira, às 21h (de Brasília), no estádio Pacaembu, expõe uma antiga polêmica no clube – preterir a Vila Belmiro em jogos decisivos.
A decisão da diretoria do Santos escolheu o Pacaembu, pois almeja uma arrecadação maior. No entanto, comissão técnica e jogadores não escondem que preferiam atuar na Vila e recordam, inclusive, a perda do título paulista do ano passado para o modesto Ituano.
Apenas três jogadores do atual elenco jogaram a final contra o Ituano – David Braz, Geuvânio e Gabriel Barbosa. Lucas Lima, por exemplo, pertencia ao elenco, mas não foi utilizado na época. O "fantasma do Pacaembu" é sempre lembrado quando os atletas querem argumentar a importância de mandar os jogos na Vila Belmiro.
Na ocasião, a diretoria comandada pelo ex-presidente Odílio Rodrigues, preteriu a Vila para obter uma renda mais vantajosa e viu o Santos perder o título nos pênaltis.
A escolha pelo Pacaembu visando dinheiro é relativa, pois o UOL Esporte já havia revelado que o clube paulista terá sua renda descontada devido a uma dívida com os administradores do estádio, "herança" deixada por Odílio Rodrigues, que entregou o clube no ano passado com sério problema financeiro.
O Santos ainda pretende mandar mais dois jogos no Pacaembu este ano para quitar a dívida. Isso porque os administradores do estádio ficarão com parte da renda em cada partida que o clube mandar no local.
A diretoria santista acredita que terá uma arrecadação maior mesmo com a dívida, já que o Pacaembu tem capacidade para 40 mil torcedores, enquanto a Vila Belmiro não cabe nem 20 mil.
"Eu não sairia da Vila de maneira nenhuma. Agora, isso é decidido com presidente e diretoria. A minha opinião, todos sabem e conhecem. Vamos cumprir, mas gostaria de não ter de sair do nosso estádio. Com mil pessoas ou dez mil, eu gostaria de não sair da Vila nunca. Sei o quanto os jogadores se sentem confortáveis e apoiados. Temos uma mística muito grande [na Vila]", afirmou Dorival.
Para o confronto contra o Figueirense, o Santos não contará com a sua principal estrela, o meia Lucas Lima. O jogador sofreu um estiramento na região posterior da coxa direita na partida contra o Internacional, no último domingo, e está vetado. Rafael Longuine e Neto Berola disputam a posição. Victor Ferraz, com dores nas costas, é dúvida para o jogo. Caso seja vetado, Daniel Guedes será o seu substituto.
Com a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, o Santos pode empatar nesta quinta-feira para se classificar para a semifinal. Já o Figueirense precisará ganhar por dois gols de diferença ou por um, desde que faça dois ou mais gols (2 x 1, 3 x 2). Se o clube catarinense vencer por 1 a 0 levará a decisão para os pênaltis.
Ficha Técnica - Santos x Figueirense
Data e horário: 1º/10/2015, às 21h (de Brasília)
Local: Pacaembu, em São Paulo-SP
Árbitro: Andre Luiz de Freitas Castro - GO
Auxiliares: Jesmar Benedito Miranda de Paula e Evandro Gomes Ferreira (ambos de GO)
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique, Zeca; Thiago Maia, Renato, Marquinhos Gabriel, Rafael Longuine [Neto Berola], Gabriel Barbosa; Ricardo Oliveira.
Técnico: Dorival Júnior.
Figueirense: Felipe; Leandro Silva, Marquinhos, Saimon, Roberto Cereceda; Jefferson, João Vitor, Rafael Bastos, Carlos Alberto; Thiago Santana e Dudu.
Técnico: Hudson Coutinho.
Katy Perry reconhece fã do Twitter e o chama no palco do show de Curitiba
Em sua turnê pelo Brasil, Katy Perry chamou mais um fã sortudo ao palco. No show que a artista fez na noite desta terça-feira (29) em Curitiba, foi a vez de Matheus França ganhar a sua selfie.
A diferença desta vez foi que Katy reconheceu o fã do Twitter e perguntou se ele era o @Katyskettle e ele respondeu que sim. A cantora já tinha trocado uma mensagem com o garoto no dia 26 quando ele tuitou para ela e recebeu a resposta "Te vejo hoje a noite".
Assim como ocorreu nos outros shows da turnê brasileira, Katy tirou selfies com Matheus.
No Rock in Rio, na noite de domingo (27), quem conseguiu subir ao palco foi a fã Rayane. A jovem foi chamada de Rayayaya por Kate e até ganhou um tapinha na bunda. Já na capital paulista, dois fãs subiram ao palco, os felizardos foram Lucas e Débora.
A próxima parada da turnê pela América Latina será em Buenos Aires no dia 3 de outubro e depois na Costa Rica, no dia 18.
ONU prevê 700.000 migrantes na Europa em 2015 e o mesmo número para 2016
Genebra, 1 Out 2015 (AFP) - O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) prevê que 700.000 migrantes buscarão refúgio na Europa este ano, e que pelo menos um número igual na Europa.
"O Acnur prevê até 700.000 pessoas em busca de segurança e proteção internacional na Europa em 2015 e o planejamento para 2016 se baseia no momento em cifras similares às de 2015", segundo um relatório difundido nesta quinta-feira e que pede mais ajuda financeira.

Aviões e helicópteros russos participam de bombardeios na Síria
Moscou, 1 out (EFE).- Mais de 50 aviões e helicópteros da Rússia participam de bombardeios contra as posições do Estado Islâmico (EI) na Síria, informou nesta quinta-feira o Ministério da Defesa russo.
"A esquadrilha aérea foi desdobrada em um curto prazo. Fomos capazes de fazê-lo porque os principais equipamentos, materiais e munição já estavam em nosso centro de manutenção de Tartus", porto do Mar Mediterrâneo, confirmou Igor Konashenkov, porta-voz militar russo.
Ontem a aviação russa efetuou 12 "ataques precisos", oito diurnos e quatro noturnos, contra centros de comando e arsenais dos jihadistas em regiões montanhosas do país árabe.
"Podemos confirmar a completa destruição pelos Su-24M do centro de comando dos guerrilheiros do Estado Islâmico na região de Al Latamna", não longe da cidade de Hama, disse o general russo.
Nas imagens mostradas à imprensa é possível ver um projétil russo destruir um edifício de concreto onde ficava um centro de comando do EI e matar todos os terroristas que estavam ali dentro e nas imediações.
Também foi destruído um centro de controle e um armazém de munição jihadista perto da cidade de Telbise, na província de Homs, que foi alcançado totalmente pelas bombas russas.
Nos mais de 20 voos, os aviões também destruíram uma fábrica de projéteis que os terroristas tinham construído em um túnel ao sul de Al Rastan, cidade situada entre Homs e Hama.
Participaram dos ataques os caças (Sukhoi) Seu-25 e Su-24, aviões que foram recauchutados e estão equipados com os mais modernos sistemas de disparo.
A Rússia ainda anunciou que posicionou um batalhão de infantaria da marinha para proteger a base aérea onde ficam os aviões russos, na região de Latakia, e o porto de Tartus.
"Para a proteção e a defesa da base foi mobilizado um batalhão tático de infantaria da marinha com equipes de reforço. As autoridades locais ajudam a manter a base com frutas e verduras", acrescentou.
Konashenkov insistiu que a Rússia não planeja enviar tropas de terra para combater os jihadistas no país árabe.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu a legitimidade da intervenção russa na Síria, por ter sido solicitada pelo próprio líder sírio, Bashar al Assad, e antecipou que ela se prolongará enquanto durar a "ofensiva" do exército sírio contra seus inimigos.
Segundo o Ministério de Defesa russo, seus alvos são "armamento pesado, redes de comunicação, meios de transporte e arsenais de armas, munição e materiais explosivos que pertencem aos terroristas do EI".
Economia global perde força com fraqueza das indústrias chinesa e europeia

BANGALORE/SYDNEY (Reuters) - A economia mundial perdeu ímpeto em setembro, com o vasto setor industrial da China encolhendo novamente e o crescimento da indústria na zona do euro enfraquecendo ligeiramente, ambas devido ao declínio na demanda global.
As mais recentes pesquisas na Ásia e Europa pintam um quadro obscuro e devem levar a mais pedidos aos bancos centrais de todo o mundo por mais afrouxamento das políticas monetárias.
"Os dados provavelmente ampliam o cenário para mais estímulos em certas partes do mundo, especialmente do banco central da China e do Banco Central Europeu (BCE)", disse o economista do Investec Philip Shaw.
"Aquelas economias que estão em trajetórias menos avançados do ciclo de recuperação --sendo o exemplo principal a zona do euro, onde vemos mais desinflação-- podem descobrir que mais estímulo é admissível."
As pesquisas Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) dos setores de serviços e indústria da China mostraram que a segunda maior economia do mundo pode estar desacelerando mais rapidamente do que anteriormente imaginado, com cortes mais profundos nos empregos.
Tomados juntos com a forte queda do mercado de ações de Xangai e com a desvalorização inesperada do iuan, os dados revelam a dificuldade para as autoridades tirarem a economia chinesa de sua maior desaceleração em décadas.
"Dois meses seguidos de contração do setor industrial com mercado acionário em queda sugerem que o crescimento da China no terceiro trimestre deve ter desacelerado para 6,4 por cento", disseram economistas da ANZ.
Na zona do euro, onde o banco central já realiza há seis meses compras de ativos de 1,1 trilhão de euros, os preços aos consumidores recuaram de novo em setembro, segundo preliminar divulgada na quarta-feira.
Combinado com o PMI que mostrou que o crescimento da indústria enfraqueceu ligeiramente no mês passado, com enfraquecimento das novas encomendas e da produção, pode levar o BCE a expandir seu programa de estímulo.
Autoridades do BCE, lideradas pelo presidente Mario Draghi, têm indicado que o esquema de compras de títulos de 60 bilhões de euros por mês pode ser elevado em tamanho ou prorrogado se a inflação não atingir a meta de quase 2 por cento mesmo em 2017.
China pede à Marinha dos EUA que reduza riscos de mal-entendidos
PEQUIM (Reuters) - A China espera que os Estados Unidos possam reduzir suas atividades que correm o risco de mal-entendidos e respeitem os interesses centrais da China, disse o Ministério da Defesa chinês nesta quinta-feira, citando um importante comandante naval.
Os dois países culpam um ao outro por ações perigosas e vários incidentes recentes em que aeronaves e navios da China e dos Estados Unidos se desafiaram no ar e mar em torno do gigante asiático.
No ano passado, o Pentágono disse que um avião de guerra chinês chegou a uma distância de 7 a 10 metros de um jato de patrulha da Marinha dos EUA e fez uma pirueta.
O almirante Sun Jianguo, vice-chefe do Estado Maior do Exército Popular de Libertação, disse ao almirante Harry Harris, comandante do Comando do Pacífico dos Estados Unidos, que o Pacífico é uma importante plataforma para a cooperação.
"O pré-requisito para uma cooperação ganhar-ganhar é a confiança mútua", disse Sun, segundo o Ministério da Defesa da China.
Esperamos que o lado dos EUA possa prestar grande atenção às preocupações da China, sinceramente respeitar os nossos interesses fundamentais, evitar palavras e ações que prejudiquem os laços bilaterais, e reduzir as atividades que causam mal-entendidos ou julgamentos errados", acrescentou.
Os dois comandantes se encontraram no Havaí, durante uma reunião de autoridades de defesa da Ásia-Pacífico.
Empresa de filho de Lula recebeu de consultoria suspeita de atuar por MP
Uma empresa de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu pagamentos de uma das consultorias suspeitas de atuar pela Medida Provisória 471, que prorrogou benefícios fiscais de montadoras de veículos.
A Marcondes & Mautoni Empreendimentos fez repasses à LFT Marketing Esportivo, aberta em março de 2011 por Luís Cláudio. Os valores alcançam R$ 2,4 milhões e foram transferidos em parcelas de R$ 400 mil, conforme apurou o jornal "O Estado de S. Paulo". Naquele mesmo ano, a medida provisória começou a vigorar.
Luís Cláudio confirma os pagamentos. Em nota, ele informou, por meio de seus advogados, que a LFT prestou serviços à Marcondes & Mautoni na área de "marketing esportivo", mas não os especificou. "O referido valor foi devidamente contabilizado e declarado", disse.
O empresário alega que seu ramo de trabalho "sempre foi o esporte, exclusivamente na esfera privada". Luís Cláudio afirma que sua empresa realizou "projetos" para a Marcondes & Mautoni, "sempre na sua área de atuação".
Representante
Aberta em agosto de 1998, a Marcondes & Mautoni atua como representante de montadoras em entidades do setor, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Veículos (Sinfavea). Nos registros da Receita Federal, não há nenhuma referência ao esporte entre as atividades econômicas da empresa.
O dono do escritório, Mauro Marcondes Machado, atua há décadas como representante de montadoras nas entidades do segmento automotivo.
"Há quase 40 anos ele é vice-presidente e tem cargos dentro da Anfavea. É uma pessoa que tem profundo conhecimento do setor", justificou o presidente da MMC Automotores, representante da Mitsubishi, Robert Rittscher, em depoimento à CPI do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) no Senado.
Os repasses para a empresa de Luís Cláudio foram identificados em investigação sobre transações financeiras da Marcondes & Mautoni. A empresa está na mira da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf, realizada conjuntamente pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda.
A Marcondes & Mautoni é suspeita de ter operado para reduzir, irregularmente, uma multa aplicada pelo "tribunal da Receita" à MMC Automotores.
'Ilação'
Procurada pela reportagem, a Marcondes & Mautoni informou jamais ter feito "qualquer repasse a qualquer empresa ou pessoa". Em nota, sustentou que "jamais houve qualquer gestão de quem quer que seja em nome da M&M, ou a seu pedido, ou para qualquer de seus clientes, no ambiente de governo, sendo um despautério qualquer ilação em sentido contrário". E alegou que faz "todos os seus negócios sempre com observância à legislação". A empresa não deu explicações sobre serviços prestados à empresa de Luís Cláudio. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Cortar ministérios é pouco: economistas defendem reformas estruturais
O corte de ministérios que deve ser anunciado pela presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira (01) tem um valor simbólico importante e pode poupar alguns milhares de reais do orçamento, mas está longe de garantir o equilíbrio das contas públicas no longo prazo, segundo especialistas consultados.
Com as dificuldades do governo em promover um ajuste fiscal e o recente rebaixamento da nota de crédito do país pela agência Standard & Poor's parece estar crescendo entre economistas de diferentes linhas teóricas a percepção de que, sem reformas amplas para lidar com os itens que mais pesam no orçamento, a única forma da conta fechar é com aumentos sucessivos da carga tributária, que já subiu de 25% para 36% do PIB desde os anos 90.
"Certamente é importante que o governo dê sinalizações de que está empenhado em cortar 'na própria carne'", diz Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas.
Ele diz que além dos ministérios e cargos comissionados, podem ser reduzidas as despesas como passagens aéreas, que consomem R$ 2,7 bilhões do orçamento; festas, premiações e conferências, que custam R$ 400 milhões; ou aluguéis de imóveis (R$1,4 bilhões).
"Mas se formos debater o que é preciso para equilibrar o orçamento, precisamos nos concentrar nas despesas mais relevantes, as de maior peso. Nenhum desses gastos chegam perto de cobrir os R$ 32 bilhões que o governo quer conseguir com o relançamento da CPMF (imposto sobre transações financeiras), por exemplo. No longo prazo, é difícil avançar sem reformas na previdência ou uma rediscussão dos gastos obrigatórios."
Entre economistas críticos ao governo, até pouco tempo era comum ouvir que o desequilíbrio nas contas públicas teria sido provocado pela expansão dos gastos promovida no governo Dilma e a chamada "contabilidade criativa" praticada sob a tutela do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Do outro lado, economistas simpáticos ao governo enfatizavam que a freada na economia tinha contribuído para derrubar a receita pública, desestabilizado o orçamento.
Agora, um número cada vez maior de especialistas tem ressaltado que o problema é estrutural - e, portanto, só pode ser resolvido com reformas mais amplas.
"Ao contrário da visão dominante, a crise fiscal não decorre apenas do descontrole das contas públicas nos últimos anos. (...) A crise é mais profunda e requer um ajuste mais severo e estrutural", diz um artigo recente assinado por Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa, economistas próximos ao PSDB.
Em outro artigo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o economista Bernard Appy, que ocupou diversos cargos de direção no Ministério da Fazenda de 2003 a 2009, o assessor do Senado Marcos Mendes, Lisboa e o professor do Insper Sérgio Lazzarini ressaltam que, desde 1991, as despesas públicas cresceram de 11% para 19% do PIB. "A crise fiscal não é recente nem passageira", dizem.
A identificação desse problema não redime os governos Lula e Dilma, nos quais crescimento da despesa foi agravado por uma série de medidas a meu ver equivocadas, mas de fato o debate ganhou muito ao se colocar essa questão estrutural sobre a mesa", disse Almeida
Propostas
Cerca de 90% das despesas do governo são consideradas obrigatórias e mesmo entre os gastos discricionários há itens que, a princípio, não podem ser cortados - como as despesas vinculadas com educação e saúde.
Só os gastos com previdência já estão ao redor de R$ 400 bilhões e aumentam ano a ano. A conta dos juros e encargos da dívida pública também é alta: até julho deste ano ficou em R$278 bilhões. "E o aumento em relação ao ano passado foi de mais de 90%", diz o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos.
As propostas para resolver a questão são muitas e, com frequência, divergentes.
Entre as mudanças mais citadas por economistas de diversas linhas teóricas estão o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria do INSS - proposta bastante combatida por sindicatos e associações de trabalhadores.
Hoje, a média de aposentadoria no Brasil é de 55 anos para os homens e 53 para as mulheres. Em boa parte dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a idade mínima é 65 anos.
Para economistas mais liberais, um ajuste estrutural seria uma oportunidade para se repensar o tamanho e prioridades do Estado brasileiro. Entre eles, muitos defendem a necessidade de medidas como o desmonte de subsídios setoriais e uma reforma mais ampla do sistema de previdência, com alteração dos valores e fórmula de reajuste de benefícios sociais e previdenciários, como a pensão por morte.
"Não faz muito sentido, por exemplo, as regras e valores das aposentadorias do setor público serem tão diferentes das do setor privado", diz o professor do Insper Otto Nogami.
Cortes de ministérios, negociados por Dilma, teriam peso simbólico
Outra proposta comum é que haja uma revisão da regra que vincula uma porcentagem da receita pública com gastos das áreas de educação e saúde.
O argumento, no caso, é que justamente quando a economia vai bem - e seria mais fácil poupar - o governo é obrigado a gastar mais.
"Talvez poderia ser adotado um novo cálculo, considerando, por exemplo, uma receita média", diz Almeida. "Tal como está, quanto mais você aumenta seu esforço de arrecadação, mais tem de ampliar seus gastos."
Contra os cortes
Mas também há quem seja contra qualquer fórmula que possa resultar em uma redução dos recursos destinados a educação e saúde.
"Falta investir em qualidade para melhorar o serviço oferecido à população. Mas cortar pode por alguns avanços em risco", diz Francisco Lopreato, da Unicamp.
Entre os economistas heterodoxos, alguns defendem uma reforma no sistema tributário para torná-lo menos regressivo, introduzindo impostos sobre herança, lucros e dividendos e a renda das parcelas mais abastadas da população.
Também há quem defenda que o maior problema são os gastos com juros da dívida e proponha uma guinada da política monetária ou outras iniciativas para reduzir essa conta.
"O próprio Banco Central registra em seus relatórios e atas que a inflação está alta pela correção dos preços controlados e pelo efeito câmbio. Com a recessão, a demanda caiu, então como continuam subindo tanto os juros para controlar aumento de preços que não estão reagindo à demanda?", questionou, recentemente, a economista da USP Laura de Carvalho em um artigo no jornal Folha de S. Paulo.
"Esse é um vespeiro porque há grande pressão dos mercados para que o governo faça superávit suficiente para pagar os juros da dívida. Mas quanto mais se aumentam os juros, maior tem de ser a economia", diz Lopreato, da Unicamp.
"Em princípio se poderia pensar em uma estratégia para reduzir a dívida, por exemplo, com a venda de ativos (da União). Mas isso não é algo trivial, por que os mercados e grupos financeiros que se beneficiam dos juros altos têm grande poder de pressão."
Almeida discorda. Para ele, a alta conta de juros é resultado do que o governo fez de errado, decisões que aumentaram a percepção de risco do país. Ele lembra que essa conta também inclui a perda com os leilões de contratos de swap cambial (instrumentos que equivalem à venda futura de dólares).
"A redução dos juros deve ser uma consequência do ajuste. Não tem como ser seu ponto de partida", opina.
Suíça transfere para Brasil investigação criminal contra Cunha
A Suíça transferiu para o Brasil investigação criminal contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Com a remessa das informações contra o peemedebista naquele país europeu, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, poderá investigá-lo e processá-lo. Eduardo Cunha teria recebido, na Suíça, propina relativa a contratos da Petrobras.
A transferência da investigação criminal foi feita por meio da autoridade central dos dois países (Ministério da Justiça). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou a transferência feita pelo Ministério Público da Confederação Helvética.
As informações do MP da Suíça relatam contas bancárias em nome de Cunha e familiares. As investigações na Suíça iniciaram em abril deste ano e houve bloqueio de valores.
Os autos serão recebidos pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça e posteriormente serão remetidos à PGR.
Por ser brasileiro nato, Eduardo Cunha não pode ser extraditado para a Suíça. O instituto da transferência de processo é um procedimento de cooperação internacional, em que se assegura a continuidade da investigação ou processo ao se verificar a jurisdição mais adequada para a persecução penal.
"Com a transferência do processo, o Estado suíço renuncia a sua jurisdição para a causa, que passa a ser do Brasil e de competência do Supremo Tribunal Federal, em virtude da prerrogativa de foro do presidente da Câmara", diz nota da PGR.
Este é o primeiro processo a ser transferido para o Supremo a pedido da Procuradoria-Geral da República e o segundo da Operação Lava Jato. A primeira transferência de investigação foi a de Nestor Cerveró para Curitiba.
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