Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil o presidente da Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Serviço e membro do Conselho Empresarial dos BRICS, Gilberto Ramos, faz um balanço positivo de 2015 quanto à relação comercial entre os dois países.
Segundo Gilberto Ramos, para o Brasil, a Rússia não é apenas um mercado, mas um parceiro.
“Existe muita complementaridade entre os dois países. Nós não concorremos em nada, apesar de até hoje a pauta bilateral ser concentrada, na parte brasileira, apenas na exportação de produtos agropecuários.”
O presidente da Câmara Brasil-Rússia destaca, neste ano, o avanço na exportação brasileira para a Rússia de carne suína e avícola, por conta do embargo norte-americano
“O item primeiro deste ano é a carne suína. Houve um salto muito grande, e também da carne avícola, por conta principalmente do embargo, porque o maior fornecedor da Rússia eram os Estados Unidos. Então, o Brasil se fez valer desse momento que surgiu da parte do embargo, para produtos, inclusive, que não chegavam lá diretamente, como é o caso das frutas.”
Gilberto Ramos também chama atenção para a exportação brasileira de produtos lácteos para a Rússia.
“Começaram a ser vendidos queijos, leite em pó e até manteiga. Isso nunca tinha entrado no mercado da Rússia.”
Ele explica, no entanto, que, por conta do câmbio desfavorável, a meta acordada entre os países de atingir um patamar de US$ 10 bilhões nas relações comerciais pode não ser concretizada, porque as importações dos produtos da Rússia para o Brasil caíram um pouco.
“Com o câmbio desfavorável, caíram as importações. A corrente comercial hoje, até novembro, fechou em US$ 4,3 bilhões. No ano passado, até dezembro, foram quase US$ 7 bilhões. Neste ano a corrente deve cair bastante, em função desse cenário recessivo. Esses números oscilam.”
O empresário chama atenção, no entanto, para a necessidade de mais representações de empresas do Brasil na Rússia, e vice-versa.
“Eu acho que o que nós temos que trabalhar é o fomento aos investimentos. Como são parceiros estratégicos, é fundamental que haja essa presença de empresas brasileiras na Rússia. Até há setores de carne, há a Metalfrio, que tem uma posição em Kaliningrado, numa joint venture. Mas em se tratando de um grande parceiro, historicamente o maior, justamente na compra, na importação de produtos agropecuários, por que não investir mais lá?
Da mesma maneira, a presença russa aqui hoje se restringe a poucas empresas: a Rosneft, que é uma operação na Amazônia, na Bacia do Solimões, de produção e exploração de gás, extremamente complexa, a logística é muito cara; a Gazprom, que tem um escritório no Rio de Janeiro e é a maior empresa de gás do mundo – fornece uma parte considerável, a terça parte, praticamente, da necessidade energética de gás da Europa. Recentemente abriu escritório, também no Rio de Janeiro, a Rosatom, que não deixa de ser também uma empresa estratégica, não é apenas uma empresa que produz geradores, produz energia, tendo como base a energia nuclear, mas também, dentro do organograma, são centenas de outras empresas lidando com altas tecnologias, inclusive de limpeza, desassoreamento de recursos hídricos.”
Para o próximo ano, o grande destaque da atuação da Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Serviço será o apoio aos Jogos Olímpicos Rio 2016. Gilberto Ramos destaca que, apesar de a Câmara ter como foco a área de negócios, a economia de negócios dentro do esporte tem várias ramificações importantes que devem ser exploradas.
“A economia na área do esporte é gigantesca, e nós temos que aproveitar esse momento da realização das Olimpíadas aqui para buscar alguns legados. Vamos coordenar várias reuniões de negócios com a Rússia e vamos dar apoio a todas as delegações que vierem de lá. Através dessas delegações, pretendemos atrair empresas russas a conhecer melhor o mercado brasileiro.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário