segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Faustão dispara: ‘Nesse país todo mundo fica em cima do muro. Uma hora o muro cai’


             Foto: Divulgação

Fausto Silva contou as novidades do ‘Domingão’ em 2016. O apresentador também falou sobre o futuro da televisão. “A TV vai ficar muito mais segmentada. Sem dúvida nenhuma. Esse tipo de televisão para todo mundo é mais difícil de fazer”, disse Faustão.

O ‘Domingão’ conseguiu manter sua audiência em 2015. Qual é o segredo do sucesso?
O programa é parecido com jornal e revista. É ter insatisfação permanente e renovação constante. O tempo todo temos que renovar. Às vezes a gente acerta. Outras, não. Tem um pouco de sorte também. Não temos que desanimar. Quanto maior o seu sucesso, mais você é cobrado e maior é a exigência. Com todo mundo é assim, não é?
Ultimamente o senhor e seus convidados têm se manifestado bastante em relação à politica no programa. Isso é algo novo, né?
Qando o programa é ao vivo sempre tem essa discursão. Depende da fase do país. E também não podemos ficar todo domingo falando desse assunto. Domingo é o dia em que as pessoas saem da transmissão do futebol direto para o ‘Domingão’. Se você não dosar isso, fica chato. O tempo todo só falando disso. O país está vivendo um dilema e você precisa se posicionar. Você pode concordar ou não. Mas, tem que se posicionar. Nesse país todo mundo fica em cima do muro. Uma hora o muro cai.
Hoje em dia tem muita gente nova no mercado. Como você faz para renovar o ‘Domingão’, que está no ar há mais de 26 anos?
Tem muita gente boa no mercado. Ao mesmo tempo em que você tem que fazer atração para criança, para jovem, adulto e para pessoa de mais idade, você precisa ficar focado no programa. Eu acho que o apresentador tem que estar envolvido com a equipe. Se não, não adianta. Às vezes ele fica focando em outros assuntos e outras coisas e acaba esquecendo do próprio produto. Esse é um segredo.
Quais as novidades do ‘Domingão’ em 2016?
A gente não guarda novidade de um ano para o outro. A gente vai fazendo o tempo todo. O quadro ‘ Os Iluminados do Domingão’ vem diferente em 2016. Tem um novo quadro chamado ‘A Escolha da Galera’. Tem um monte de novidade! A gente não sabe se vai acontecer já em janeiro ou em fevereiro. Por isso não está dando para anunciar. O segredo é sempre você está procurando novidade. Às vezes você acerta, às vezes, não.”
O que você trouxe do rádio para a TV?
Acho que eu e o Silvio Santos somos os últimos da geração do rádio. O rádio você precisa trabalhar com a imaginação das pessoas. Ele é muito difícil. Mais difícil que a televisão. Na TV temos imagem. Do outro lado, o radio dá para você um jogo de cintura, de não precisar de TP (teleprompter). Aquele negócio que o cara coloca na frente para ler. Você não depende do texto. E, no caso de alguns apresentadores têm texto próprio. Ou seja, eu não uso ponto eletrônico. Isso ajuda. Quando o programa é ao vivo não dar para você controlar o horário.
Com o surgimento de novas plataformas, como o Netflix, você acha que a TV aberta irá perder público?
Cada um tem um jeito. Há 300 anos, falavam que o rádio iria desaparecer. Depois apareceu o cinema, e disseram que a televisão iria desaparecer. Mesma coisa que quando começaram baixar musica pela internet, que as gravadoras iriam desaparecer. Não é bem assim. Tudo vai se ajeitando. A TV vai ficar muito mais segmentada. Sem dúvida nenhuma. Esse tipo de televisão para todo mundo é mais difícil de fazer.
Como avalia a mudança do programa para São Paulo?
Está tudo bem! Eu, como paulista, sempre brinco dizendo que praia de paulistano é programa de auditório. O local onde é gravado o programa não afeta nem o conteúdo, nem a fórmula. Não muda a essência. A gente vai se adequando.

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