O índice da bolsa de valores brasileira registrou seu menor patamar desde abril de 2009, muito por conta das notícias envolvendo a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e potenciais substitutos.
O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) fechou em queda de 2,98%, aos 43.910 pontos e com um volume negociado de R$ 7,925 bilhões.
A queda das operações foi puxada, principalmente, pelo desempenho negativo das ações da Petrobras e dos bancos Bradesco, Banco do Brasil e Itaú Unibanco. As quatro empresas têm grande peso sobre o Ibovespa. Os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) tiveram perdas de 5,81%, a R$ 26,93. Os do Bradesco (BBDC4) fecharam em baixa de 3,82%, a R$ 19,65. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) se desvalorizaram 2,68%, a R$ 15,95. Já as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) recuaram 2,5%, a R$ 7,02. As ordinárias (PETR3) caíram 1,81%, a R$ 8,66,
De acordo com profissionais do mercado financeiro ouvidos pela agência de notícias Reuters, a bolsa refletiu a apreensão com a dinâmica da economia à frente, uma vez que a pessoa que entrou no governo para capitanear o ajuste fiscal está saindo.
No fim do dia, ficou confirmado que a presidenta Dilma Rousseff decidiu tirar Joaquim Levy do Ministério da Fazenda e substituí-lo pelo atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Para o lugar de Barbosa, Dilma nomeou o ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão.
Segundo informações da Agência Brasil, a demissão de Levy vem ao encontro da demanda de vários movimentos sociais, que criticavam a condução do ajuste em prejuízo a direitos dos trabalhadores. Por diversas vezes, especulou-se que o próprio Joaquim Levy pudesse pedir demissão, já que algumas de suas opiniões, no sentido de aumentar o rigor do ajuste fiscal, eram contestadas pela própria presidenta Dilma. Levy, que ocupou o cargo por menos de um ano, foi o responsável pela execução de medidas de ajuste fiscal do governo praticadas nos últimos meses, algumas das quais ainda não foram aprovadas pelo Congresso Nacional.
Depois de um dia de trégua no mercado financeiro, a moeda norte-americana fechou no maior valor em mais de dois meses. O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (18) vendido a R$ 3,947, com alta de R$ 0,058 (1,47%), registrando seu maior nível desde 1º de outubro (R$ 4,002). Com o desempenho de hoje, a moeda norte-americana acumula alta de 1,55% em dezembro e de 48,45% em 2015.
O câmbio abriu em alta, mas caiu no início da tarde e, por volta das 13h50, a divisa era vendida a R$ 3,887. No entanto, nas horas seguintes, a cotação disparou depois das declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em café da manhã com jornalistas, ele evitou confirmar o pedido de demissão, mas disse que mudanças na política econômica dependiam da definição de prioridades pelo governo.
Os investidores também continuavam de olho no processo de impeachment, por conta da vitória que o governo obteve no Supremo Tribunal Federal (STF) ao acatar as principais teses relacionadas às regras do processo de impeachment e dar ao Senado o poder de rejeitar a instauração do impedimento.
Além disso, o Banco Central deu sequência à rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento programado em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos. Até agora, o BC já rolou o equivalente a US$ 7,659 bilhões, ou cerca de 72% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.
Para segunda-feira, os agentes aguardam a publicação dos números da sondagem industrial da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o boletim Focus, o resultado semanal da balança comercial e a nota do setor externo a ser publicada pelo Banco Central. No exterior, destaque para o índice de preços ao produtor na Alemanha e os dados de confiança do consumidor na zona do euro.
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