sábado, 26 de setembro de 2015

Humanidade e Mudanças Climáticas: O que o Futuro nos Reserva? (UNEC)


HUMANIDADE E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O QUE O FUTURO NOS RESERVA?

Josiane Wendt Antunes Mafra
Mestranda em Meio Ambiente e Sustentabilidade
e colaboradora do Grupo

Logo_Educação_Ambiental_Final.wmfO Planeta Terra – que tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos de existência -, partindo de sua gênese até o surgimento do homem há aproximadamente 2,5 milhões de anos, abrigara espécimes animais, vegetais e minerais em abundância, espécimes estas decorrentes de sua evolução ao longo de todo este período.
Lado outro, o Homem, por sua natureza racional e culturalmente inventiva, deu origem a técnicas e tecnologias científicas responsáveis por uma intensa degradação do meio ambiente que se intensificou, notadamente, a partir da Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX.
Como conseqüência desta interferência excessiva do Homem no meio em que vive, a Terra é, hoje, um bem totalmente distinto daquele que os primatas tiveram à sua disposição no início de sua existência. A população humana vem crescendo vertiginosamente a ponto de contarmos, no ano de 2008, com aproximados 6,7 bilhões de pessoas no Globo Terrestre. Vive-se uma crise ambiental sem precedentes: o consumo de água e energia aumentou astronomicamente; mais de 840 espécies de seres vivos foram extintos; foi constatado o derretimento assustador das calotas de gelo das geleiras e extremidades do Planeta, bem como o aumento da sua temperatura média e o surgimento de lugares desérticos em várias regiões.
É sabido que, no Brasil, naturalmente, não ocorrem ciclones e grandes abalos sísmicos, no entanto, em 2004, nosso litoral sul foi atingido por um forte ciclone (“Catarina”). Do mesmo modo a população brasileira tem sido surpreendida pelo gradativo - mas considerável - aumento do nível do mar nas nossas regiões litorâneas, assim como pelas inúmeras tragédias decorrentes de inundações (São Paulo, Minas Gerais, etc.), secas (nordeste, norte de Minas, etc.) e epidemias (febre amarela, dengue, etc.) verificadas diariamente no país. Ainda ocupam os nossos noticiários, matérias relatando as conseqüências trazidas pelo tremor de terra ocorrido no município de Itacarambi, norte de Minas Gerais, onde uma criança morreu e seis outras sofreram ferimentos, enquanto, de outra via, não saem da mente dos moradores de nosso município (Caratinga), preocupações relativas a enchentes, tanto é que é possível acompanhar a busca incessante dos órgãos públicos em evitar, retardar ou, ao menos, minorar os efeitos de possíveis novas enchentes.
Ora, tantos desastres naturais não são decorrentes de uma mera fatalidade como ainda pensam tantas pessoas. Trata-se, a bem da verdade, de uma resposta da natureza às atividades sufocantes do Homem junto ao meio onde vive. É o ser humano quem constrói à margem do leito dos rios e/ou acima deles; impermeabiliza o solo através do asfaltamento das ruas, impedindo o escoamento das águas; joga lixos nas calçadas, ruas e estradas ocasionando o entupimento de bueiros e o surgimento de inúmeras doenças em função do acúmulo inevitável de animais junto aos resíduos descartados de forma inadequada.
Nós fazemos parte da espécie humana e, portanto, somos responsáveis pelos reflexos advindos da sua intervenção no planeta, sendo inocente e ineficaz argumentar que a culpa é daqueles cuja vida nos antecedeu ou dos atuais gestores públicos.
De fato, somos nós que elegemos nossos representantes, administramos nossas empresas e atividades, gerimos nossa economia doméstica, optando pelos produtos que consumimos e descartando aqueles que acreditamos não nos serem mais úteis. E mais: somos nós que saímos, diariamente, motorizados de nossas casas em direção ao trabalho, percorrendo curtas distâncias - em cidades do porte de Caratinga, por exemplo -, optando por enfrentar um trânsito caótico, poluir o meio e manter o sedentarismo, em detrimento de uma boa qualidade de vida.
Conseqüência natural das afirmações acima, é possível inferir que, de todas as espécies vivas, o Homem é a única capaz de causar verdadeiro desequilíbrio no meio ambiente, modificando-o intensamente. Ocorre que, como aludido, tais modificações têm sido determinadas, na maioria das vezes, por interesses econômicos em detrimento da necessidade da preservação da nossa qualidade de vida e da manutenção do próprio meio de onde extraímos o necessário à nossa sobrevivência. As conseqüências deste processo, obviamente, estão se traduzindo nos sinais de exaustão do planeta Terra, comprometendo o delicado equilíbrio ecológico do ecossistema.
Quanto ao futuro do planeta e da espécie humana, as inúmeras e diferentes previsões não são nada acalentadoras. Há cientistas que entendem, inclusive, termos chegado a uma situação irreversível. No entanto, ainda que o cenário seja adverso, nada justifica a inércia, mesmo que, tão-somente com o objetivo de conseguirmos prolongar, ao máximo, a vida na Terra a ponto de, quiçá, colhermos, como situação positiva e animadora, uma evolução da nossa espécie compatível com a nova situação apresentada, evolução esta acompanhada de um engrandecimento moral.
Resta-nos, pois, agora, olha para frente, buscando respostas preventivas e repressivas na medida das possibilidades fáticas, adquirindo, enfim, notadamente, uma consciência ambiental, adotando atitudes moral e eticamente aceitas diante do meio ambiente.
Pequenas mudanças certamente não salvarão o planeta, muito menos a espécie humana, no entanto as mudanças mais importantes e estruturais dependem intrinsecamente da atitude de cada um de nós. O Homem, enquanto inserido na sociedade apontará os problemas, mas cabe a ele, enquanto indivíduo, chamar para si a sua cota de responsabilidade na resolução destes problemas. Afinal, como defendia Gandhi, “acreditar em algo e não o viver é desonesto”.


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