HUMANIDADE E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: O QUE O
FUTURO NOS RESERVA?
Josiane
Wendt Antunes Mafra
Mestranda
em Meio Ambiente e Sustentabilidade
e
colaboradora do Grupo
O
Planeta Terra – que tem aproximadamente 4,5 bilhões de anos de existência -,
partindo de sua gênese até o surgimento do homem há aproximadamente 2,5 milhões
de anos, abrigara espécimes animais, vegetais e minerais em abundância,
espécimes estas decorrentes de sua evolução ao longo de todo este período.
Lado outro, o
Homem, por sua natureza racional e culturalmente inventiva, deu origem a
técnicas e tecnologias científicas responsáveis por uma intensa degradação do
meio ambiente que se intensificou, notadamente, a partir da Revolução
Industrial nos séculos XVIII e XIX.
Como
conseqüência desta interferência excessiva do Homem no meio em que vive, a
Terra é, hoje, um bem totalmente distinto daquele que os primatas tiveram à sua
disposição no início de sua existência. A população humana vem crescendo
vertiginosamente a ponto de contarmos, no ano de 2008, com aproximados 6,7
bilhões de pessoas no Globo Terrestre. Vive-se uma crise ambiental sem
precedentes: o consumo de água e energia aumentou astronomicamente; mais de 840
espécies de seres vivos foram extintos; foi constatado o derretimento assustador
das calotas de gelo das geleiras e extremidades do Planeta, bem como o aumento
da sua temperatura média e o surgimento de lugares desérticos em várias
regiões.
É sabido que, no
Brasil, naturalmente, não ocorrem ciclones e grandes abalos sísmicos, no entanto,
em 2004, nosso litoral sul foi atingido por um forte ciclone (“Catarina”). Do
mesmo modo a população brasileira tem sido surpreendida pelo gradativo - mas
considerável - aumento do nível do mar nas nossas regiões litorâneas, assim
como pelas inúmeras tragédias decorrentes de inundações (São Paulo, Minas
Gerais, etc.), secas (nordeste, norte de Minas, etc.) e epidemias (febre
amarela, dengue, etc.) verificadas diariamente no país. Ainda ocupam os nossos
noticiários, matérias relatando as conseqüências trazidas pelo tremor de terra
ocorrido no município de Itacarambi, norte de Minas Gerais, onde uma criança
morreu e seis outras sofreram ferimentos, enquanto, de outra via, não saem da
mente dos moradores de nosso município (Caratinga), preocupações relativas a
enchentes, tanto é que é possível acompanhar a busca incessante dos órgãos
públicos em evitar, retardar ou, ao menos, minorar os efeitos de possíveis
novas enchentes.
Ora, tantos
desastres naturais não são decorrentes de uma mera fatalidade como ainda pensam
tantas pessoas. Trata-se, a bem da verdade, de uma resposta da natureza às
atividades sufocantes do Homem junto ao meio onde vive. É o ser humano quem
constrói à margem do leito dos rios e/ou acima deles; impermeabiliza o solo
através do asfaltamento das ruas, impedindo o escoamento das águas; joga lixos
nas calçadas, ruas e estradas ocasionando o entupimento de bueiros e o
surgimento de inúmeras doenças em função do acúmulo inevitável de animais junto
aos resíduos descartados de forma inadequada.
Nós fazemos
parte da espécie humana e, portanto, somos responsáveis pelos reflexos advindos
da sua intervenção no planeta, sendo inocente e ineficaz argumentar que a culpa
é daqueles cuja vida nos antecedeu ou dos atuais gestores públicos.
De fato, somos nós
que elegemos nossos representantes, administramos nossas empresas e atividades,
gerimos nossa economia doméstica, optando pelos produtos que consumimos e
descartando aqueles que acreditamos não nos serem mais úteis. E mais: somos nós
que saímos, diariamente, motorizados de nossas casas em direção ao trabalho,
percorrendo curtas distâncias - em cidades do porte de Caratinga, por exemplo -,
optando por enfrentar um trânsito caótico, poluir o meio e manter o
sedentarismo, em detrimento de uma boa qualidade de vida.
Conseqüência
natural das afirmações acima, é possível inferir que, de todas as espécies
vivas, o Homem é a única capaz de causar verdadeiro desequilíbrio no meio
ambiente, modificando-o intensamente. Ocorre que, como aludido, tais
modificações têm sido determinadas, na maioria das vezes, por interesses
econômicos em detrimento da necessidade da preservação da nossa qualidade de
vida e da manutenção do próprio meio de onde extraímos o necessário à nossa
sobrevivência. As conseqüências deste processo, obviamente, estão se traduzindo
nos sinais de exaustão do planeta Terra, comprometendo o delicado equilíbrio
ecológico do ecossistema.
Quanto ao futuro
do planeta e da espécie humana, as inúmeras e diferentes previsões não são nada
acalentadoras. Há cientistas que entendem, inclusive, termos chegado a uma
situação irreversível. No entanto, ainda que o cenário seja adverso, nada
justifica a inércia, mesmo que, tão-somente com o objetivo de conseguirmos
prolongar, ao máximo, a vida na Terra a ponto de, quiçá, colhermos, como
situação positiva e animadora, uma evolução da nossa espécie compatível com a
nova situação apresentada, evolução esta acompanhada de um engrandecimento
moral.
Resta-nos, pois,
agora, olha para frente, buscando respostas preventivas e repressivas na medida
das possibilidades fáticas, adquirindo, enfim, notadamente, uma consciência
ambiental, adotando atitudes moral e eticamente aceitas diante do meio
ambiente.
Pequenas
mudanças certamente não salvarão o planeta, muito menos a espécie humana, no
entanto as mudanças mais importantes e estruturais dependem intrinsecamente da
atitude de cada um de nós. O Homem, enquanto inserido na sociedade apontará os
problemas, mas cabe a ele, enquanto indivíduo, chamar para si a sua cota de
responsabilidade na resolução destes problemas. Afinal, como defendia Gandhi, “acreditar
em algo e não o viver é desonesto”.
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