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| Hillary Clinton | |
|---|---|
| 67ª Secretária de Estado dos Estados Unidos | |
| Período | 21 de janeiro de 2009 a 1 de fevereiro de 2013 |
| Presidente | Barack Obama |
| Antecessor(a) | Condoleezza Rice |
| Sucessor(a) | John Kerry |
| Senadora por Nova Iorque | |
| Período | 3 de janeiro de 2001 a 21 de janeiro de 2009 |
| Antecessor(a) | Daniel Patrick Moynihan |
| Sucessor(a) | Kirsten Gillibrand |
| 44° Primeira-Dama dos Estados Unidos | |
| Período | 20 de janeiro de 1993 a 20 de janeiro de 2001 |
| Presidente | Bill Clinton |
| Antecessor(a) | Barbara Pierce Bush |
| Sucessor(a) | Laura Bush |
| Vida | |
| Nome completo | Hillary Diane Rodham Clinton |
| Nascimento | 26 de outubro de 1947 (67 anos) Chicago, Illinois, |
| Progenitores | Mãe: Dorothy Howell Rodham Pai: Hugh E. Rodham |
| Dados pessoais | |
| Alma mater | Wellesley College Yale Law School |
| Marido | Bill Clinton (1975–presente) |
| Partido | Democrata (1968–presente) Republicano (antes de 1968) |
| Religião | Metodista |
| Profissão | Advogada |
| Assinatura | |
Hillary Diane Rodham Clinton, (Chicago, 26 de outubro de 1947) foi a 67ª Secretária de Estado dos Estados Unidos, servindo no governo do presidente estadunidense Barack Obama. Foi senadora de Nova Iorque de 2001 a 2009 e, como esposa do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, foi também a 44ª Primeira-dama dos Estados Unidos, de 1993 a 2001. Foi uma das principais candidatas nas prévias do partido democrata na eleição presidencial norte-americana de 2008.
Nativa de Illinois, Hillary Rodham atraiu primeiramente a atenção nacional em 1969 por seus comentários como a primeira aluna a remeter o discurso de formatura no Wellesley College. Ingressou na carreira de direito após sua graduação na Faculdade de Direito de Yale em 1973. Sendo advogada legal congressional, mudou-se para o Arkansas em 1974 e casou-se com William Jefferson Clinton em 1975. Em 1977, Rodham co-fundou o Arkansas Advocates for Children and Families. Em 1978, tornou-se a primeira presidente mulher do Legal Services Corporation. Foi nomeada a primeira sócia mulher da Rose Law Firm em 1979, e foi duas vezes listada como uma das cem advogadas mais influentes dos EUA. Foi primeira-dama do Arkansas de 1979 a 1981 e de 1983 a 1992, conseguindo reformar o sistema de educação do estado. Hillary foi do conselho de administração do Wal-Mart e de diversas outras empresas.
Em 1994, como primeira-dama dos Estados Unidos, sua maior iniciativa, que visava reformar a saúde do país, não conseguiu obter aprovação do Congresso norte-americano. Em 1997 e 1999, Clinton defendeu o estabelecimento do State Children's Health Insurance Program, o Adoption and Safe Families Act, e o Foster Care Independence Act. Seu mandato como primeira-dama polarizou a opinião do povo americano. A única primeira-dama a ser intimada testemunhou perante um grande júri federal, devido à controvérsia Whitewater em 1996. Clinton nunca foi acusada de qualquer irregularidade nessa e várias outras investigações durante o governo de seu marido. O seu casamento com Bill Clinton foi o tópico de consideráveis discussões públicas após o escândalo Lewinsky em 1998.
Após mudar-se para Nova Iorque, Clinton foi eleita senadora norte-americana do estado de Nova Iorque em 2000. Esta eleição marcou a história, já que pela primeira vez, uma primeria-dama estadunidense concorreu a um cargo público; Clinton foi também a primeira senadora feminina a representar Nova Iorque. No Senado, inicialmente apoiou a administração de George Walker Bush em algumas questões políticas externas, nas quais incluíam a votação para a resolução da Guerra do Iraque. Posteriormente, opôs-se à condução da guerra do Iraque, e opôs-se a Bush em muitas decisões internas. Foi reeleita por uma ampla margem em 2006. Na candidatura presidencial de 2008, Clinton venceu mais primárias que qualquer outra candidata feminina na história americana, porém perdeu a vaga para o senador Barack Obama. Como Secretária de Estado de Obama, Clinton foi a primeira primeira-dama a servir em um gabinete presidencial.
Em abril de 2015, anunciou formalmente que iria novamente tentar conquistar a candidatura do Partido Democrata para o cargo depresidente dos Estados Unidos nas eleições de 2016.[1]
Índice
[esconder]- 1 Início de vida e educação
- 2 Casamento e família, carreira jurídica e primeira-dama do Arkansas
- 3 Primeira-dama dos Estados Unidos
- 4 Eleição para o Senado em 2000
- 5 Senadora dos Estados Unidos por Nova Iorque
- 6 Campanha presidencial de 2008
- 7 Secretária de Estado dos Estados Unidos
- 8 Publicações
- 9 Referências
- 10 Ligações externas
Início de vida e educação[editar | editar código-fonte]
Primeiros anos[editar | editar código-fonte]
Hillary Diane Rodham nasceu em 26 de outubro de 1947 no Hospital Edgewater em Chicago, Illinois.[2] [3] Ela foi criada em uma família metodista, primeiramente em Chicago, e, após completar três anos de idade, no subúrbio de Park Ridge, Illinois.[4] Seu pai, Hugh Ellsworth Rodham (1911–1993), era descendente de galeses e ingleses,[5] e abriu um pequeno negócio bem sucedido na indústria têxtil.[6] Sua mãe, Dorothy Emma Howell (1919–2011), era uma dona de casa com descendência inglesa, escocesa, francesa e galesa.[5] [7] [8] Hillary tem dois irmãos mais novos: Hugh (nascido em 1950) e Tony (nascido em 1954).[9]
Criada em uma família politicamente conservadora,[8] voluntariou-se nos esforços do Partido Republicano para comprovar que os democratas haviam fraudado a eleição presidencial de 1960 na cidade de Chicago. Hillary chegou a conclusão de que os apoiadores de John Kennedy fraudaram a eleição, desfavorecendo o republicano Richard Nixon.[10] Ela também voluntariou-se na campanha presidencial do republicano Barry Goldwater em1964.[11] O desenvolvimento político inicial da jovem foi moldado mais por seu professor de história do ensino médio (como seu pai, um anticomunistafervoroso), que a apresentou ao livro de Goldwater A Consciência de um conservador,[12] e por seu pastor (como sua mãe, preocupado com questões de justiça social), com quem ela conheceu o ativista Martin Luther King, Jr. em 1962.[13]
Quando criança, praticava esportes, participava de várias atividades em sua igreja e ganhou inúmeros prêmios como escoteira.[14] [15] [14] Estudou na Maine East High School, onde participou da associação de estudantes, do jornal da escola e foi selecionada para a National Honor Society.[2] [16] No seu último ano de ensino secundário, foi transferida para a recém criada Maine South High School, onde foi finalista do Programa de Bolsas de Mérito Nacional, concorreu sem sucesso contra sete rapazes ao grêmio estudantil, fez parte do Comitê de Organizações, e graduou-se como um dos cinco melhores alunos da turma de 1965.[17] [18] Sua mãe queria que ela tivesse uma carreira profissional independente, e seu pai sentiu que as habilidades e oportunidades de sua filha não deveriam ser limitadas por seu gênero.[19]
Anos em Wellesley College[editar | editar código-fonte]
Em 1965, matriculou-se no curso de ciência política da Wellesley College.[20] Durante o seu primeiro ano, presidiu a ala jovem dos republicanos em Wellesley.[21] [22] Ela identificava-se com o grupo de Nelson Rockefeller, considerado mais moderado e liberal.[23] [24] Mais tarde, a medida que suas opiniões sobre o movimento dos direitos civis dos negros e a Guerra do Vietnã alteraram-se, mudou de ideia em relação aos republicanos.[21] Em uma carta enviada a seu pastor da época em que era mais jovem, descreveu-se como "uma mente conservadora e um coração liberal".[25] Em contraste com os anos 1960, que preconizavam ações radicais contra o sistema político, procurou trabalhar para a mudança dentro dele.[26] Em 1968, tornou-se apoiadora da candidatura presidencial do democrata anti-guerra Eugene McCarthy.[27] Após o assassinato de Martin Luther King, Jr., organizou uma greve estudantil de dois dias e trabalhou com colegas negras para recrutar mais estudantes negros e professores.[27] No início de 1968, foi eleita presidente da Associação de Governo de Wellesley e permaneceu neste cargo até o início de 1969.[26] [28] Para ajudá-la a entender melhor sua mudança de pontos de vista políticos, o professor Alan Schechter ofereceu-lhe um estágio na Conferência Republicana da Câmara; Hillary aceitou o convite e participou do Programa de Estágio de verão da "Wellesley em Washington".[27] Ainda em 1968, foi convidada pelo representante republicano moderado Charles Goodell, que conheceu no estágio em Washington, a ajudar na campanha presidencial de Rockefeller durante as primárias.[27] Como voluntária de Rockefeller, participou da Convenção Nacional Republicana em Miami. No entanto, ficou chateada pela forma em que a campanha de Richard Nixon e Rockefeller retrataram o que ela percebeu como mensagens racistas na convenção do partido, e acabou trocando os republicanos por seu maior rival, o Partido Democrata, naquele mesmo ano.[27] Em sua autobiografia Vivendo a História, escreveu: "Às vezes penso que não fui eu quem deixou o Partido Republicano, mas sim o contrário".[29]
Hillary escreveu sua tese, uma crítica às táticas do organizador comunitário radical Saul Alinsky, sob a orientação do professor Schechter.[30] Em maio de 1969, graduou-se como umbacharel de artes com honras departamentais em ciência política.[30] Pressionada por algumas colegas,[31] tornou-se, em 31 de maio de 1969, a primeira aluna na história da Wellesley College a proferir o discurso de formatura.[28] Em seu discurso afirmou que "o medo está sempre conosco, mas simplesmente não temos tempo para ele. Não agora.",[32] sendo em seu final aplaudida de pé durante sete minutos.[26] [33] [34] Hillary foi destaque em um artigo publicado na revista Life,[35] devido a uma parte do seu discurso em que criticou o senador Brooke, que havia falado antes dela.[31] Também apareceu nacionalmente no talk show televisivo de Irv Kupcinet.[36] Naquele verão, viajou para o Alaska, onde lavou pratos no Parque Nacional e Reserva de Denali e limpou peixes em uma fábrica temporária de salmão localizada em Valdez, que a despediu após ela queixar-se das condições insalubres.[37]
Yale Law School e estudos de pós-graduação[editar | editar código-fonte]
Ainda em Wellesley, foi aprovada nas faculdades de direito de Harvard e Yale.[38] Optou pela segunda e ingressou na Yale Law School no outono de 1969.[39] Lá atuou no conselho editorial da publicação Yale Review of Law and Social Action.[40] Durante o seu segundo ano, trabalhou no Centro de Estudos sobre a Criança da Universidade de Yale como assistente de pesquisas para o livro "Além dos Melhores Interesses da Criança" (1973).[41] [42] [43] Também trabalhou com casos de abuso infantil no Hospital Yale–New Haven e prestou assessoria jurídica gratuita para os pobres.[42] [41] No verão de 1970, conseguiu um emprego no Projeto de Pesquisas de Washington, criado por Marian Wright Edelman, onde foi designada para pesquisar a habitação, saneamento, educação e saúde dos filhos de migrantes. Neste emprego também assistiu as audiências do subcomitê do Senado sobre trabalho migratório.[44] Edelman mais tarde se tornou uma importante mentora.[45] Ainda em 1970, foi recrutada pelo conselheiro político Anne Wexler para trabalhar na campanha do candidato democrata ao Senado porConnecticut Joseph Duffey; mais tarde, afirmou que Wexler ofereceu o seu primeiro trabalho na política.[46]
No final da primavera de 1971, começou a namorar com Bill Clinton, também um estudante de direito de Yale. Naquele verão, estagiou no escritório de advocacia Treuhaft, Walker e Burnstein, de Oakland, Califórnia.[47] O escritório ficou conhecido por seu apoio aos direitos constitucionais, liberdades civis e causas radicais de extrema-esquerda;[47] Hillary trabalhou com guarda de filhos e outros casos.[48] [49] [50] Bill cancelou seus planos originais de verão para acompanhar sua namorada na Califórnia;[51] o casal continuou vivendo juntos em New Haven quando voltaram para a faculdade.[48] No verão de 1972, Hillary e Bill fizeram campanha no Texas para o candidato democrata George McGovern, que foi derrotado pelo presidente Richard Nixon na eleição geral.[52] Na primavera de 1973, recebeu o grau de Juris Doctor em direito, tendo escrito uma tese sobre direitos das crianças.[53] [54] Após a formatura, viajou pela primeira vez a Europa com Bill, que a propôs em casamento pela primeira vez, mas ela recusou com um "não, não agora".[54] [55] [56] Logo em seguida começou um ano de estudos de pós-graduação sobre crianças e medicina no Centro de Estudos sobre a Criança da Universidade de Yale.[57] Seu primeiro artigo acadêmico, "As crianças nos termos da lei", foi publicado naHarvard Educational Review no final de 1973.[58]
Casamento e família, carreira jurídica e primeira-dama do Arkansas[editar | editar código-fonte]
Da Costa Leste para o Arkansas[editar | editar código-fonte]
Durante os seus estudos de pós-graduação, trabalhou como advogada pessoal do recém criado Fundo de Defesa das Crianças de Edelman em Cambridge, e como consultora do Conselho de Carnegie sobre Crianças.[59] [60] Em 1974, trabalhou na equipe de investigação do impeachment do presidente Nixon em Washington, D.C., assessorando o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes durante o Caso Watergate.[61] Sob a orientação do Conselheiro Chefe John Doar e do membro sênior Bernard Nussbaum,[42] trabalhou com os procedimentos de investigação, os fundamentos históricos e as regras de um impeachment.[61] O trabalho da comissão culminou com a renúncia do presidente Nixon em agosto de 1974.[61]
Até então, Hillary era vista como alguém com um futuro político brilhante: a consultora democrata Betsey Wright havia se mudado do Texas para Washington no ano anterior para ajudar a orientar sua carreira,[62] e Wright pensou que Hillary tinha o potencial para se tornar uma senadora ou presidente no futuro.[63] Enquanto isso, Bill tinha repetidamente pedido Hillary em casamento, mas ela continuou objetando.[64] Depois de falhar no exame para advogar do Distrito de Colúmbia e passar no exame de Arkansas,[65] chegou a uma decisão-chave de sua vida. Como mais tarde escreveu, "Eu escolhi seguir o meu coração em vez da minha cabeça".[66] Ela decidiu ir com Bill para o Arkansas, em vez de ficar em Washington, onde as perspectivas de carreira eram mais brilhantes. Já no Arkansas, Bill estava lecionando direito e concorrendo a uma vaga na Câmara dos Representantes. Em agosto de 1974, mudou-se para Fayetteville, e tornou-se uma das duas únicas mulheres que integravam o corpo docente da Faculdade de Direito da Universidade do Arkansas em Fayetteville.[67] [68] Hillary deu aulas de direito penal, sendo considerada uma professora rigorosa, e foi a primeira diretora da clínica de assistência jurídica da escola.[69] Ela ainda tinha dúvidas sobre o casamento por estar preocupada que sua identidade seria perdida e que suas realizações seriam vistas à luz da outra pessoa.[70] Em novembro de 1974, Bill perdeu a eleição para o Congresso por uma pequena diferença.[71]
Primeiros anos no Arkansas[editar | editar código-fonte]
Hillary Rodham e Bill Clinton compraram uma casa em Fayetteville no verão de 1975 e Hillary finalmente concordou em se casar.[73] O casamento foi realizado em 11 de outubro de 1975, em uma cerimônia metodista em sua sala de estar.[74] Uma notícia sobre o casamento publicada no Arkansas Gazette indicou que ela decidiu continuar utilizando o seu nome de nascimento.[74] [75] A motivação era manter suas vidas profissionais separadas e evitar aparentes conflitos de interesses.[76] A decisão chateou sua mãe e sua sogra.[77] Em novembro de 1976, Bill foi eleito procurador-geral do Arkansas, e com isso o casal se mudou para Little Rock, a capital do estado.[78] Em fevereiro de 1977, tornou-se uma advogada do respeitável escritório Rose Law Firm, uma advocacia com bastante poder político e econômico no estado.[79] Especializou-se em violação de patentes e direitos de propriedade intelectual enquanto também trabalhava pro bono em defesa de crianças;[40] [80] raramente trabalhava com litígios nos tribunais.[81]
Hillary manteve seu interesse em direito das crianças e política da família, e publicou os artigos acadêmicos "Políticas para crianças: abandono e negligência" em 1977 e "Direitos das Crianças: Uma Perspectiva Legal" em 1979.[82] [83] Este último continuou seu argumento de que a competência legal das crianças dependia de sua idade e outras circunstâncias e que, em casos graves, a intervenção judicial é justificada. A American Bar Association mais tarde disse: "Seus artigos eram importantes, não porque eles eram radicalmente novos, mas porque eles ajudaram a formular algo que tinha sido incipiente." O historiador Garry Wills viria a descrevê-la como "uma das mais importantes ativistas das duas últimas décadas",[84]enquanto alguns conservadores disseram que suas teorias iriam usurpar a autoridade tradicional dos pais.[85] [86]
Em 1977, co-fundou a associação Advogados em Defesa das Crianças e Famílias do Arkansas, uma aliança em nível estadual com o Fundo de Defesa das Crianças.[40] [87] Mais tarde naquele ano, o presidente Jimmy Carter (para quem Hillary tinha sido a diretora de operações de campo da campanha presidencial de 1976 em Indiana)[88] a nomeou para o conselho de administração da Legal Services Corporation,[89] onde trabalhou de 1978 até o final de 1981.[90] A partir de meados de 1978 a meados de 1980,[nb 1] atuou como presidente do conselho, sendo a primeira mulher a ocupar este cargo.[91] Durante seu período como presidente, o financiamento para a Legal Services Corporation foi ampliado de $90 milhões para $300 milhões; posteriormente, lutou com sucesso contra as tentativas do presidente Ronald Reagan de reduzir o financiamento e mudar a natureza da organização.[80]
Em novembro de 1978, seu marido foi eleito governador do Arkansas, e Hillary se tornou a primeira-dama do estado em janeiro de 1979. Bill a nomeou presidente do Comitê Consultivo de Saúde Rural no mesmo ano,[92] onde ela garantiu fundos federais para expandir as instalações médicas nas áreas mais pobres de Arkansas sem afetar os honorários médicos.[93] Em 1979, se tornou a primeira sócia da Rose Law Firm.[94] De 1978 até entrar na Casa Branca, recebeu um salário mais elevado do que o de seu marido.[95] Durante os anos de 1978 e 1979, tentando complementar sua renda, obteve um lucro espetacular ao negociar contratos futuros de gado bovino;[96] um investimento inicial de $1.000 gerou cerca de $100.000 dez meses após ela parar de negociar.[97] O casal também começou a investir, juntamente com Jim e Susan McDougal, na Whitewater Development Corporation. A sociedade foi criada com o objetivo de comprar terras na margem sul do rio White, subdividi-las para residências de férias e depois vender os lotes com lucro.[96] A Whitewater não prosperou.[98]
Últimos anos no Arkansas[editar | editar código-fonte]
Em 27 de fevereiro de 1980, nasceu sua primeira e única filha Chelsea. Em novembro daquele ano, Bill foi derrotado em sua tentativa de se reeleger.[99] Bill retornou ao cargo de governador depois de vencer a eleição de 1982. Durante a campanha de seu marido, começou a usar o nome Hillary Clinton, e as vezes "Sra Bill Clinton", para amenizar as preocupações dos eleitores do estado;[nb 2] também tirou uma licença de tempo integral da Rose Law Firm para fazer campanha para o marido.[104] Como primeira-dama do Arkansas, utilizou Hillary Rodham Clinton como seu nome.[nb 2]Foi nomeada presidente do Comitê de Normas Educacionais do Arkansas em 1983, onde tentou reformar o sistema público de educação.[105] [106]Em uma das iniciativas mais importantes do governo Clinton, travou uma batalha prolongada, mas finalmente bem sucedida, contra a Associação de Educação do Arkansas para estabelecer testes obrigatórios para os professores, normas estaduais para o currículo escolar e o tamanho das salas de aula.[92] [105] Em 1985, apresentou o Programa de Instrução Domiciliar Pré-escolar, um programa que ajudava os pais a trabalhar com seus filhos na preparação pré-escolar e alfabetização.[107] Em 1983, foi nomeada a Mulher do Ano de Arkansas e em 1984 a Mãe do Ano de Arkansas.[108] [109]
Hillary continuou trabalhando na Rose Law Firm em seu segundo período como primeira-dama do Arkansas. Ela ganhava menos do que os outros sócios, mas ainda assim ganhou $200.000 dólares em seu último ano na empresa.[110] [111] O escritório a considerava uma "rainmaker", porque ela trouxe novos clientes e em parte graças ao prestígio que deu para a empresa.[111] Hillary também foi muito influente na nomeação de juízes estaduais.[111] O oponente republicano de Bill Clinton em sua campanha a reeleição em 1986 acusou os Clinton de conflito de interesses, porque a Rose Law Firm fez negócios com o estado; os Clinton rebataram a acusação, dizendo que as taxas estaduais foram pagas pela empresa perante os seus lucros.[112]
De 1982 a 1988, fez parte do conselho de administração, as vezes como sua diretora, da New World Foundation,[113] que financiou uma variedade de grupos de interesse da nova Esquerda.[114] De 1987 a 1991, foi a primeira presidente da comissão sobre mulheres na profissão de advocacia da American Bar Association.[115] A comissão foi criada para abordar os preconceitos de gênero na carreira de advocacia e induzir a associação a adotar medidas para combatê-la.[115] Foi duas vezes nomeada pelo The National Law Journal como um dos 100 advogados mais influentes dos Estados Unidos: em 1988 e em 1991.[116] Quando Bill Clinton pensou em não concorrer novamente para governador em 1990, considerou concorrer para sucedê-lo, mas pesquisas privadas indicaram números desfavoráveis. Apesar disso, Bill concorreu novamente e foi reeleito.[117]
Hillary fez parte dos conselhos de administração do Hospital da Criança do Arkansas (1988–1992) e do Fundo de Defesa das Crianças (como presidente, 1986–1992).[118] [2] [119] Além dos cargos que ocupou em organizações sem fins lucrativos, também ocupou cargos no conselho de diretoria das empresas TCBY (1985–1992),[120] Wal-Mart Stores (1986–1992)[121] eLafarge (1990–1992).[122] TCBY e Wal-Mart também eram clientes da Rose Law Firm.[111] [123] Foi a primeira mulher a integrar o conselho da Wal-Mart, sendo nomeada após a pressão que o presidente Sam Walton estava tendo para nomear uma mulher para o conselho.[123] Como membro do conselho da Wal-Mart Stores, ajudou com sucesso na adoção de práticas ambientalmente mais amigáveis, mas foi muito mal sucedida em uma campanha para que mais mulheres pudessem fazer parte da empresa, e ficou em silêncio sobre a empresa ter a fama de práticas anti-sindicais.[121] [123] [124]
Campanha presidencial de Bill Clinton em 1992[editar | editar código-fonte]
Hillary Clinton recebeu atenção nacional pela primeira vez quando seu marido se tornou um candidato para a nomeação presidencial democrata de 1992. Antes da primária de Nova Hampshire, publicações impressas de tablóides alegaram que Bill havia se envolvido em um caso extraconjugal com a cantora do Arkansas Gennifer Flowers.[125] Em resposta, os Clinton apareceram juntos no programa 60 Minutes, onde Bill negou o caso, mas reconheceu que "causou dor no meu casamento".[126] Esta aparição conjunta foi creditada como o resgate de sua campanha.[127] Durante a campanha, Hillary fez observações depreciativas sobre Tammy Wynette e sua visão sobre o casamento;[128] [129] em um programa televisivo, declarou: "Eu não estou aqui sentada como uma mulherzinha apoiando o meu homem como Tammy Wynette (referência à imagem de sofredora da cantora). Eu estou sentada aqui porque eu o amo." Hillary acabou pedindo desculpas a Tammy.[130] Bill afirmou que se ele fosse eleito, o país "teria dois pelo preço de um", referindo-se ao papel de destaque que Hillary teria em um eventual governo.[131] O artigo The Lady Macbeth of Little Rock, escrito por Daniel Wattenberg em agosto de 1992 para a revista The American Spectator, explorou seu passado ideológico e ético, que foram atacados pelos conservadores.[85] Pelo menos outros vinte artigos das principais publicações também fizeram comparações entre ela e Lady Macbeth.[132]
Primeira-dama dos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]
Papel como primeira-dama[editar | editar código-fonte]
Quando Bill Clinton tomou posse como presidente em 20 de janeiro de 1993, Hillary Rodham Clinton tornou-se a 44ª primeira-dama dos Estados Unidos, e seu secretário de imprensa reiterou que ela estaria usando os seus três nomes.[nb 2] Foi a primeira primeira-dama a ter uma pós-graduação e ter sua própria carreira profissional até o momento em que tornou-se moradora da Casa Branca.[133] Também foi a primeira a ter um escritório na Ala Oeste da Casa Branca, além dos escritórios habituais da primeira-dama na Ala Leste.[57] [134] Hillary ajudou seu marido nas nomeações feitas para a nova administração, e escolheu pelo menos onze posições de nível superior e vários outros cargos de nível inferior.[135] Depois de Eleanor Roosevelt, é considerada a mais poderosa esposa de um presidente na história americana.[136] [137]
Alguns críticos consideraram inadequado que a primeira-dama desempenhasse um papel central em questões de política pública. Os defensores argumentaram que o papel de Hillary na política não foi diferente do de outros assessores da Casa Branca e que os eleitores estavam bem cientes de que ela iria desempenhar um papel ativo na presidência de seu marido.[138] A promessa de campanha de Bill de que o país teria "dois pelo preço de um" levou seus adversários a referirem-se pejorativamente aos Clinton como "co-presidentes" ou, em algumas vezes, "Billary", um apelido que eles receberam ainda no Arkansas.[92] [139] [140] As ideias conflitantes sobre o papel que uma primeira-dama deveria desempenhar fez com que tivesse "discussões imaginárias" com a também politicamente ativa Eleanor Roosevelt.[nb 3] Desde quando passou a morar em Washington, também encontrou refúgio em um grupo de oração, que contou com muitas esposas de figuras conservadoras da capital federal.[144] [145] Desencadeado em parte pela morte de seu pai em abril de 1993 e de um assessor e amigo pessoal de longa data, procurou publicamente encontrar uma síntese dos ensinamentos metodistas, e a "política de sentido" do editor Michael Lerner para superar o que viu como um "vazio espiritual no coração da sociedade americana"; o que a levaria a ter a vontade de "remodelar a sociedade pela redefinição do que significa ser um ser humano no século XX, na passagem para um novo milênio".[146] [147] Outros seguimentos do público focaram em sua aparência, que tinha evoluído consideravelmente desde a campanha de seu marido à presidência,[148] o que lhe rendeu uma capa na revista Vogue em 1998.[149] [150] [151]
Saúde pública e outras iniciativas políticas[editar | editar código-fonte]
Em janeiro de 1993, o presidente Clinton nomeou Hillary para chefiar a Força-Tarefa para a Reforma do Sistema de Saúde, na esperança de sua esposa repetir o sucesso que havia feito ao liderar os esforços para a reforma da educação no Arkansas.[152] Não convencida a respeito dos méritos do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), insistiu privadamente a dar maior prioridade para a aprovação da reforma do sistema de saúde.[153] [154] A força-tarefa se tornou conhecida como Clinton health care plan, uma proposta abrangente que exigiria que empregadores fornecessem a cobertura de saúde a seus empregados, além de outras providências. Seus adversários rapidamente ridicularizaram o plano, chamando-o de "Hillarycare"; alguns manifestantes contrários tornaram-se agressivos, e, em julho de 1994, durante uma de suas viagens para conseguir apoio ao plano, usou um colete à prova de balas, seguindo a recomendação do Serviço Secreto.[155] [156]
Incapaz de reunir apoio suficiente para uma votação no plenário, tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, embora os democratas controlavam ambas, a proposta de reforma foi abandonada em setembro de 1994.[155] Hillary reconheceu mais tarde em seu livro de memórias que sua inexperiência política em parte contribuiu para a derrota, mas citou muitos outros fatores. Os índices de aprovação da primeira-dama, que tinha sido geralmente em 50% durante seu primeiro ano, caiu para 44% em abril de 1994 e 35% em setembro daquele ano.[157] Os republicanos tornaram os planos de reforma da saúde dos Clinton um grande tema de campanha das eleições de meio de mandato de 1994,[158] quando eles ganharam 53 assentos na Câmara e sete no Senado, tornando-se assim o partido majoritário em ambas; muitos analistas e pesquisadores descobriram que o plano foi um fator importante na derrota dos democratas, especialmente entre os eleitores independentes.[159] A Casa Branca posteriormente procurou minimizar o papel de Hillary na formulação da política.[160] Os opositores dos cuidados médicos universais iriam continuar a usar o termo "Hillarycare" como um rótulo pejorativo para planos semelhantes propostos por outros.[161]
Juntamente com os senadores Ted Kennedy e Orrin Hatch, ela foi uma força por trás da aprovação do Programa de Seguro de Saúde para Crianças em 1997, um esforço federal que forneceu o apoio do estado para as crianças cujos pais não podiam fornecer-lhes assistência médica, e, quando se tornou lei, conduziu os esforços de divulgação para que as crianças fossem inscritas no programa.[162] Ela promoveu a imunização contra doenças infantis em todo o país e incentivou as mulheres mais velhas a fazerem mamografia para detectar o câncer de mama, com cobertura fornecida pelo Medicare.[163] Ela ajudou a aumentar o financiamento das pesquisas para a cura do câncer de próstata easma na infância no Instituto Nacional da Saúde.[57] A primeira-dama trabalhou para investigar os relatos de uma doença que afetou os veteranos da Guerra do Golfo, que ficou conhecida como a síndrome da Guerra do Golfo.[57] Juntamente com o procurador-geral Janet Reno, ajudou a criar o Escritório para a Violência Contra as Mulheres no Departamento de Justiça.[57] Em 1997, iniciou e conduziu a aprovação da Lei de Adoção e Famílias Seguras, que ela considerava como sua maior realização como primeira-dama.[57] [164] Em 1999, ela foi fundamental para a aprovação de uma legislação sobre adoção, que dobrou as verbas federais para adolescentes envelhecerem fora de um orfanato.[164] Como primeira-dama, organizou numerosas conferências da Casa Branca, inclusive sobre Assistência à Infância (1997),[165] Desenvolvimento da Primeira Infância e Aprendizagem (1997),[166] e sobre Crianças e Adolescentes (2000).[167] Ela também organizou a primeira conferência da Casa Branca sobre Adolescentes (2000) e Filantropia (1999).[168] [169]
Hillary viajou para 79 países durante seus anos na Casa Branca,[170] quebrando o recorde de primeira-dama mais viajada estabelecido por Pat Nixon.[171]Ela não possuía uma habilitação de segurança ou participou de reuniões do Conselho de Segurança Nacional, mas desempenhou um papel na diplomacia norte-americana, alcançando alguns de seus objetivos.[172] Em março de 1995, viajou para cinco países do Sul da Ásia, a pedido do Departamento de Estado dos EUA e sem o marido, para melhorar as relações com a Índia e o Paquistão.[173] A primeira-dama ficou preocupada com a situação das mulheres que encontrou, mas recebeu uma recepção calorosa das pessoas dos países em que visitou e melhorou seu relacionamento com a imprensa norte-americana.[173] [174] A viagem foi uma experiência transformadora para ela e pressagiou sua eventual carreira diplomática.[175]
Em um discurso em setembro de 1995, antes da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres em Pequim, argumentou com ênfase contra as práticas que abusam de mulheres em todo o mundo,[176] e disse que "já não é mais aceitável discutir os direitos das mulheres como se estes fossem separados dos direitos humanos."[176] Delegados de mais de 180 países a ouviram dizer: "Se há uma mensagem que ecoa adiante desta conferência, é que os direitos humanos são os direitos das mulheres e os direitos das mulheres são direitos humanos, de uma vez por todas."[177] Ao proferir estas palavras, resistiu tanto a pressão interna do governo quanto a pressão chinesa para suavizar suas observações.[170] [177] O discurso tornou-se um momento-chave no empoderamento feminino e nos anos seguintes as mulheres repetiram ao redor do mundo as frases do discurso de Hillary.[178] Foi uma das figuras internacionais mais proeminentes durante o final da década de 1990 a falar contra o tratamento que as mulheres afegãs recebiam do Taliban.[179] [180] Ajudou a criar a Vital Voices, uma iniciativa internacional promovida pelos Estados Unidos para promover a participação das mulheres nos processos políticos de seus países.[181] As visitas de Hillary a Irlanda do Norte encorajaram as mulheres daquele país a fazerem-se ouvir no processo de paz.[182]
Whitewater e outras investigações[editar | editar código-fonte]
A controvérsia de Whitewater foi um foco de atenção da mídia, iniciado após uma reportagem do The New York Times em março de 1992, que durou no período da campanha presidencial e enquanto foi primeira-dama.[183] Os Clinton tinham perdido no final da década de 1970 o investimento que fizeram na Whitewater Development Corporation;[184] ao mesmo tempo, seus sócios no investimento, Jim e Susan McDougal, administravam a Madison Guaranty, uma empresa de poupança e empréstimo que contratou os serviços jurídicos da Rose Law Firm[184] e supostamente subsidiou indevidamente as perdas sofridas pela Whitewater.[183] A Madison Guaranty mais tarde faliu, e o trabalho de Hillary no escritório de advocacia Rose foi examinado como sendo um possível conflito de interesse por ela ter representado a instituição financeira antes de reguladores estaduais que seu marido tinha designado.[183] Ela alegou que tinha feito o mínimo de trabalho para empresa.[185] Os conselheiros independentes Robert Fiske e Kenneth Starr intimaram a primeira-dama a ver os seus registros financeiros, e ela respondeu-lhes que não sabia onde estavam.[186] [187] Os registros foram encontrados na Casa Branca depois de uma busca de dois anos e foi entregue aos investigadores no início de 1996.[187] O aparecimento tardio dos registros despertou um interesse intenso e outro inquérito sobre como eles surgiram e onde estavam foi instaurado.[187] A equipe da primeira-dama atribuiu o problema a mudanças contínuas em áreas de armazenamento da Casa Branca.[188] Em 26 de janeiro de 1996, se tornou a primeira primeira-dama a ser intimada para depor perante um grande júri federal.[186] Depois das investigações de vários conselheiros independentes, um relatório final foi emitido em 2000, e concluiu que não havia provas suficientes de que ela havia se envolvido em um delito penal.[189]
As demissões de funcionários do Escritório de Viagens da Casa Branca em maio de 1993, um caso que ficou conhecido como "Travelgate", começou com acusações de que a Casa Branca tinha usado irregularidades financeiras auditadas nas operações do Escritório de Viagens como uma desculpa para substituir os funcionários por seus amigos do Arkansas.[190] A descoberta de um memorando de dois anos em 1996 fez com que a investigação se concentrasse sobre se Hillary havia orquestrado as demissões e se as declarações que ela fez para os investigadores sobre seu papel nas demissões eram verdadeiras.[191] [192] O relatório final do conselheiro independente divulgado em 2000 concluiu que ela estava envolvida nas demissões e que tinha feito declarações "factualmente falsas", mas, como não havia provas suficientes de que ela sabia que as declarações eram falsas ou que suas ações levaria a demissões, não foi aberto nenhum processo.[193]
Na sequência do suicídio do vice-conselheiro da Casa Branca Vince Foster em julho de 1993, foram feitas alegações de que a primeira-dama ordenou a remoção de documentos potencialmente prejudiciais (relacionados a Whitewater e outros assuntos) do escritório de Foster na noite de sua morte.[194] O conselheiro independente Kenneth Starr investigou esta alegação, e, em 1999, foi relatado que Starr estava segurando o inquérito aberto, apesar de sua equipe ter lhe dito que não havia nada a ser feito.[195] Quando Robert Ray, sucessor de Starr, emitiu seus relatórios finais sobre Whitewater em 2000, não foram apresentadas alegações contra Hillary em relação a este caso.[189]
Uma consequência das investigações sobre Travelgate foi a descoberta em junho de 1996 de que a Casa Branca teve acesso indevido a centenas de relatórios do FBI sobre ex-funcionários do governo republicano, um caso que alguns chamaram de "Filegate".[196] Foram feitas acusações de que Hillary tinha pedido estes arquivos e que tinha recomendado a contratação de uma pessoa não qualificada para chefiar o Escritório de Segurança da Casa Branca.[197] O relatório final do conselheiro independente em 2000 não encontrou nenhuma evidência substancial ou credível de que ela teve qualquer papel ou mostrou má conduta neste caso.[196]
Em março de 1994, reportagens de jornais revelaram seus lucros espetaculares nos contratos futuros de gado bovino entre 1978–1979;[198] foram feitas alegações na imprensa de conflito de interesse e subornos disfarçados,[199] e várias pessoas analisaram os registros de negociação, mas nenhuma investigação formal foi feita e ela nunca foi acusada de qualquer delito.[199]
Escândalo Lewinsky[editar | editar código-fonte]
Em 1998, a relação do casal Clinton se tornou um assunto de muita especulação quando investigações revelaram que o presidente tinha tido relações extraconjugais com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.[200] As investigações do escândalo Lewinsky levaram ao impeachment de Bill pela Câmara dos Representantes, sendo depois absolvido pelo Senado. Quando as acusações contra seu marido tornaram-se públicas, afirmou que elas eram o resultado de uma "vasta conspiração de direita",[201] caracterizando as acusações como a último de uma organizada, longa, e colaborativa série de ataques dos inimigos políticos do presidente.[nb 4] Mais tarde, disse que tinha sido induzida ao erro pelas alegações iniciais do marido de que nenhum caso tinha ocorrido.[203] Após as provas de encontros do presidente com Lewinsky tornarem-se incontestáveis, emitiu uma declaração pública reafirmando seu compromisso com o seu casamento, mas privadamente foi relatado que ela estava furiosa com ele e não tinha certeza se queria continuar casada.[204] Os funcionários da residência privada da Casa Branca notaram um nível acentuado de tensão entre o casal durante este período.[205]
A reação do público foi variada: algumas mulheres admiravam sua força e equilíbrio em assuntos particulares tornados públicos, alguns simpatizavam com ela como uma vítima de um comportamento insensível de seu marido, outros a criticaram por não ter se separado, enquanto outros a acusaram de cinismo por permanecer em um casamento fracassado como forma de manter ou mesmo promover a sua própria influência política.[206] Na sequência das revelações do escândalo, seus índices de aprovação dispararam para mais de 70%, os mais elevados até os dias atuais.[206] Em seu livro de memórias de 2003, atribuiu sua decisão de continuar casada a "um amor que persiste há décadas" e acrescentou: "Ninguém me entende melhor e ninguém pode me fazer rir da forma como Bill faz. Mesmo depois de todos esses anos, ele ainda é a pessoa mais interessante, energizado e plenamente vivo que eu já conheci."[207]
Deveres tradicionais[editar | editar código-fonte]
Hillary foi a presidente fundadora do programa Salve os Tesouros da América, um esforço nacional com o objetivo de preservar e restaurar itens e sítios históricos,[208] incluindo a bandeira que inspirou "The Star-Spangled Banner" e o Sítio Histórico das Primeiras-damas em Canton, Ohio.[57] Chefiou o Conselho do Milênio da Casa Branca[209] e hospedou as "Noites do Milênio",[210] uma série de palestras que discutiram estudos futuros, uma das quais se tornou o primeiro webcast simultâneo ao vivo da Casa Branca.[57] Hillary também criou a primeira escultura de jardim da Casa Branca, que foi colocada no Jardim Jacqueline Kennedy, onde também foram exibidas grandes obras contemporâneas americanas emprestadas de museus.[211]
No interior da residência oficial, Hillary colocou artesanatos doados de artesãos contemporâneos do país, como cerâmica e vidro, em exposição rotativa nos salões nobres.[57] Ela supervisionou a restauração da Sala Azul para ser historicamente autêntica ao período de James Monroe[212] e da Sala de Mapas para ser como era na época da Segunda Guerra Mundial.[213] Trabalhou com o decorador de interiores do Arkansas Kaki Hockersmith durante oito anos, supervisionando os esforços extensivos e a redecoração em torno do edifício financiada pelo setor privado, muitas vezes tentando fazer com que este ficasse mais brilhante.[214] No geral, as redecorações receberam comentários mistos, sendo que os móveis vitorianos para o Lincoln Sitting Room foram mais criticados.[214] Hillary recebeu muitos eventos de grande escala na Casa Branca, como a recepção do Dia de São Patrício, um jantar de Estado oferecido a dignitários chineses, um concerto de música contemporânea que levantou fundos para a educação musical nas escolas públicas, uma celebração da véspera de Ano Novo na virada do século XXI, e um jantar de Estado em homenagem ao bicentenário da Casa Branca em novembro de 2000.[57]
Eleição para o Senado em 2000[editar | editar código-fonte]
Quando o senador pelo Estado de Nova Iorque Daniel Patrick Moynihan, no cargo desde 1977, anunciou sua aposentadoria em novembro de 1998, várias figuras democratas proeminentes, como o representante nova-iorquino Charles B. Rangel, instaram Hillary a concorrer à vaga aberta por Moynihan no ciclo eleitoral de 2000.[215] Uma vez que ela decidiu concorrer, os Clinton compraram uma casa em Chappaqua, norte da cidade de Nova Iorque, em setembro de 1999.[216] Ela se tornou a primeira primeira-dama norte-americana a ser candidata a um cargo eletivo.[217] Inicialmente, era esperado que enfrentasse na eleição geral Rudy Giuliani, o prefeito republicano de Nova Iorque. Giuliani retirou-se da disputa em maio de 2000, após ser diagnosticado com câncer de próstata e questões relacionadas ao seu casamento tornaram-se públicas, e Hillary acabou concorrendo contra Rick Lazio, um membro republicano da Câmara dos Representantes pelo segundo distrito congressional.[218]
Ao longo da campanha, seus opositores a acusaram de ser uma aventureira, uma vez que ela nunca residiu em Nova Iorque nem participou da política estadual antes de entrar na disputa. Começou sua campanha visitando todos os condados do estado e ouvindo pequenos grupos de pessoas, no que ficou conhecido como um "tour de escuta".[219] Dedicou um tempo considerável em regiões tradicionalmente republicanas do interior do Estado.[220] Hillary prometeu melhorar a situação econômica destas aéreas, afirmando que seu plano econômico iria criar duzentos mil empregos no Estado ao longo de seu mandato. O plano incluía créditos fiscais para recompensar a criação de empregos e incentivar o investimento empresarial, especialmente no setor de alta tecnologia. Também propôs cortes de impostos pessoais nas mensalidade das faculdades e em cuidados médicos de longa duração.[220]
A disputa atraiu atenção nacional. Em um debate de setembro, Lazio dirigiu-se ao púlpito de Hillary para pedir que assinasse um acordo de angariação de fundos, o que foi visto como uma invasão do espaço pessoal.[221] As campanhas de Clinton e Lazio, juntamente com os esforços iniciais de Giuliani, gastaram entre US$ 70 a 90 milhões, estabelecendo naquele momento um recorde de gastos em eleições para o Senado.[222] Em 7 de novembro, Hillary venceu a eleição com 55% dos votos válidos (ou 3 747 310 votos), contra 43% de Lazio (ou 2 915 730 votos).[221] Foi empossada no Senado dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2001.[223]
Senadora dos Estados Unidos por Nova Iorque[editar | editar código-fonte]
Primeiro mandato[editar | editar código-fonte]
Ao entrar no Senado, manteve um perfil público de baixa visibilidade e construiu relações com senadores de ambos os partidos.[224] Forjou alianças com senadores de inclinação religiosa, tornando-se uma participante regular do Senate Prayer Breakfast.[144] [225] Ela atuou em cinco comitês em seus oito anos de mandato: Orçamento (2001–2002),[226] Serviços Armados (2003–2009),[227] Ambiente e Obras Públicas (2001–2009),[226] Saúde, Educação, Trabalho e Pensões (2001–2009)[226] e do Comitê Especial do Envelhecimento [228] Também foi integrante da Comissão de Segurança e Cooperação na Europa (2001–2009).[229] [230]
Na sequência dos ataques de 11 de setembro, procurou obter financiamento para os esforços de recuperação e melhorias de segurança em seu estado. Trabalhou com o senador sênior nova-iorquino, Charles Schumer, sendo fundamental na obtenção de um financiamento de US$ 21 bilhões destinado para a reconstrução do local em que estava o World Trade Center.[225] [231] Posteriormente, assumiu um papel de liderança na investigação dos problemas de saúde enfrentados pelos socorristas do ataque.[232] Em outubro de 2001, votou a favor da Lei Patriótica.[233] Em 2005, quando o debate sobre a renovação da lei iniciou, trabalhou para resolver algumas preocupações sobre as liberdades civis,[234] e acabou votando a favor da renovação em março de 2006.[235]
Hillary apoiou fortemente a ação militar norte-americana no Afeganistão, dizendo que era uma chance para combater o terrorismo e melhorar a vida das mulheres afegãs que sofriam sob o governo Talibã.[236] Em outubro de 2002, votou a favor da resolução da Guerra do Iraque, que autorizou o presidenteGeorge W. Bush a usar a força militar contra o Iraque.[237]
Depois do começo da Guerra do Iraque, fez viagens ao Iraque e ao Afeganistão para visitar as tropas norte-americanas enviadas aos países. Em uma visita ao Iraque em fevereiro de 2005, observou que a insurgência não tinha conseguido perturbar as eleições democráticas realizadas em janeiro daquele ano e que partes do país estavam indo bem.[238] Após observar que as implantações estavam drenando forças regulares e de reserva, co-introduziu uma legislação que autorizava aumentar a 80 mil pessoas o tamanho normal do Exército no país com o objetivo de diminuir as tensões.[239] No final de 2005, declarou que, enquanto a retirada imediata das tropas no Iraque seria um erro, a promessa de Bush de ficar "até que o trabalho fosse feito" também era equivocada, uma vez que deu aos iraquianos "um convite aberto para não cuidar de si mesmos".[240] Sua postura causou frustração entre aqueles membros do Partido Democrata que favoreciam uma retirada rápida.[241] Também apoiou manter e melhorar os benefícios de saúde para os veteranos e pressionou contra o encerramento de várias bases militares.[242]
Hillary votou contra os dois grandes pacotes de corte de impostos do presidente Bush, a Lei de Reconciliação do Crescimento Econômico e do Alívio Fiscal de 2001 e a Lei de Reconciliação do Emprego e do Alívio de Impostos para o Crescimento de 2003.[243] Em 2005, votou contra a confirmação de John G. Roberts como o Chefe de Justiça dos Estados Unidos e em 2006 votou contra a confirmação de Samuel Alito para a Suprema Corte dos Estados Unidos.[244]
Em 2005, pediu para a Comissão Federal do Comércio investigar as cenas de sexo escondidas no controverso jogo Grand Theft Auto: San Andreas.[245]Juntamente com os senadores Joe Lieberman e Evan Bayh, introduziu a Lei de Proteção do Entretenimento Familiar, destinada a proteger as crianças de conteúdos inadequados encontrados em jogos (a legislação acabou expirando ao término do 109º Congresso).[246] Em 2004 e 2006, votou contra a Emenda Constitucional Federal do Casamento, que proibiria o casamento entre pessoas do mesmo sexo.[243] [247]
Afim de estabelecer uma "infra-estrutura progressiva" para rivalizar com a do conservadorismo norte-americano, desempenhou um papel formativo em conversas que levaram à fundação do Centro para o Progresso Americano em 2003 pelo ex-chefe de pessoal da administração Clinton, compartilhou assessores com o Cidadãos pela Responsabilidade e Ética em Washington, fundado em 2003, e aconselhou David Brock, ex-antagonista dos Clinton que criou o Assuntos de mídia para a América em 2004.[248] Após as eleições para o Senado em 2004, convenceu o novo líder democrata no Senado, Harry Reid, a criar uma "sala de guerra" para lidar diariamente com as mensagens políticas.[249]
Campanha a reeleição em 2006[editar | editar código-fonte]
Em novembro de 2004, anunciou que iria concorrer a um segundo mandato no Senado. A primeira candidata que liderou as pesquisas da primária republicana, a procuradora-geral doCondado de Westchester, Jeanine Pirro, retirou-se da disputa após vários meses de um fraco desempenho na campanha.[250] Hillary venceu com facilidade a primária democrata contra o ativista antiguerra Jonathan Tasini.[251] Seu oponente na eleição geral acabou sendo o republicano John Spencer, ex-prefeito de Yonkers. Em 7 de novembro de 2006, venceu a eleição com 67% dos votos (ou 3 008 428 votos), contra 31% de Spencer (ou 1 392 189 votos),[252] e venceu em 58 dos 62 condados.[253] Hillary gastou US$ 36 milhões em sua campanha, mais do que qualquer outro candidato ao Senado no ciclo eleitoral de 2006. Alguns democratas a criticaram por gastar muito em uma eleição considerada fácil, enquanto alguns apoiadores estavam preocupados porque ela não tinha deixado mais fundos para uma eventual candidatura em 2008.[254] Nos meses seguintes, transferiu US$ 10 milhões de seus fundos da campanha ao Senado para sua campanha presidencial.[255]
Segundo mandato[editar | editar código-fonte]
Hillary se opôs ao aumento das tropas no Iraque em 2007, no que o Secretário de Defesa Robert Gates mais tarde declarou que esta posição era motivada por questões domésticas políticas.[nb 5] Em março do mesmo ano, votou a favor de um projeto de lei sobre o financiamento da guerra que exigia que o presidente Bush começasse a retirar tropas do Iraque dentro de um prazo; a lei acabou sendo aprovada, mas foi posteriormente vetada pelo presidente.[257] Em maio de 2007, um projeto de lei sobre o financiamento da guerra que removia os prazos de retirada foi aprovado no Senado por 80-14, sendo sancionada pelo presidente; Hillary votou contra o projeto.[258] Em setembro de 2007, respondeu ao relatório feito pelo generalDavid Petraeus sobre a situação do Iraque, quando disse: "Eu acho que os relatórios que você fornece para nós realmente exigem uma suspensão voluntária da descrença."[259]
Em março de 2007, em resposta à controversa demissão de procuradores, apelou ao procurador-geral dos Estados Unidos Albert Gonzales que renunciasse ao cargo.[260] Apoiou o muito debatido projeto de reforma da imigração, a Lei de Segurança nas Fronteiras, Oportunidades Econômicas e Reforma Imigratória de 2007, que iria fornecer um caminho para a cidadania norte-americana aos cerca de doze milhões de imigrantes ilegais que residiam no país, mas acabou não sendo aprovado.[261]
Como a crise financeira de 2007–2008 atingiu um pico com a crise de liquidez em setembro de 2008, apoiou a proposta de resgate do sistema financeiro dos Estados Unidos, e votou a favor do plano de resgate de US$ 700 bilhões que autorizava a criação do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos, dizendo que representava os interesses do povo americano. No senado, o plano foi aprovado por 74–25.[262]
Campanha presidencial de 2008[editar | editar código-fonte]
Hillary estava se preparando para uma potencial candidatura à presidência pelo menos desde o início de 2003.[263] Em 20 de janeiro de 2007, anunciou que estava formando um comitê exploratório para a eleição de 2008.[264] Ao longo do primeiro semestre de 2007, liderou as pesquisas nacionais das primárias democratas, tendo os senadores Barack Obama e John Edwards como seus mais fortes concorrentes.[237] A maior ameaça para sua campanha era o apoio anterior que dera a Guerra do Iraque, a qual Obama se opôs desde o início.[237] Hillary e Obama foram os candidatos que mais arrecadaram fundos de campanha, e estabeleceram recordes de arrecadação.[265]
Até setembro de 2007, as pesquisas realizadas nos primeiros seis estados que fariam primárias revelaram que estava liderando em todos eles, mas a disputa estava acirrada em Iowa e na Carolina do Sul. Até o mês seguinte, as pesquisas nacionais a indicaram muito a frente de seus concorrentes democratas.[266] No final de outubro, sofreu um raro mau desempenho em um debate entre os pré-candidatos.[267] [268] A mensagem de mudança, encarnada por Obama, começou a ressoar melhor entre o eleitorado democrata do que a mensagem de experiência, representada por Hillary.[269] A disputa então tornou-se consideravelmente mais rigorosa, especialmente nos primeiros estados que realizariam as primárias, onde ela perdeu a liderança em algumas pesquisas de dezembro.[270]
Na primeira primária, a de Iowa em 3 de janeiro, ficou em terceiro.[271] Obama ganhou terreno nas pesquisas nacionais nos próximos dias, e todas previam sua vitória em Nova Hampshire.[272] Hillary acabou tendo lá uma apertada vitória surpresa em 8 de janeiro.[273] Nos próximos dias, a dinâmica da disputa alterou-se, e questões de raça e gênero ganharam posição central, o que resultou em um duelo mais polarizado entre Hillary e Obama.[274] [275] [276] Em 26 de janeiro, perdeu para Obama na Carolina do Sul por uma ampla diferença,[276] e, com a suspensão da campanha de Edwards poucos dias depois, iniciou-se uma intensa disputa para a Super Terça.[277] [278] Venceu as primárias dos estados mais populosos na Super Terça, enquanto Obama venceu em mais estados;[279] os votos foram divididos quase que igualmente,[280] mas Obama ganhou um maior número de delegados comprometidos a votar nele graças a uma melhor exploração das regras de distribuição dos delegados.[281]
A campanha de Hillary contava ganhar a indicação do Partido Democrata já na Super Terça e não estava preparada financeiramente e logisticamente para um esforço prolongado; com atrasos na angariação de fundos via internet, começou a emprestar dinheiro próprio para sua campanha.[269] [282] Houve um tumulto contínuo dentro de sua equipe e fez várias mudanças de funcionários de alto-nível.[282] [283] Obama ganhou as próximas onze primárias de fevereiro, muitas vezes por largas margens, e assumiu uma liderança significativa entre os delegados comprometidos a apoiá-lo na Convenção Nacional do partido.[281] [282] Em 4 de março, quebrou uma série de perdas ao vencer em Ohio e noTexas,[282] onde sua crítica ao NAFTA, um dos legados da presidência de seu marido, tinha sido uma questão-chave.[284] Ao longo da campanha, Obama dominou as convenções partidárias estaduais, as quais a campanha de Hillary largamente ignorou a preparação para vencê-las.[269] [281] Obama se deu melhor em primárias com mais eleitores afro-americanos, jovens, pessoas com ensino superior, ou onde os eleitores mais ricos eram fortemente representados; Hillary venceu nas primárias com maior número de hispânicos, idosos, pessoas sem ensino superior, ou onde os eleitores brancos da classe trabalhadora predominavam.[285] [286] Atrás na contagem total dos delegados, sua melhor esperança em conseguir a nomeação estava em convencer os superdelegados nomeados pelo partido.[287]
No final de março, admitiu que suas declarações de que esteve sob fogo hostil de franco-atiradores durante uma visita em março de 1996 a Bósnia e Herzegovina não eram verdadeiras, o que atraiu uma considerável atenção da mídia.[288] Em 22 de abril, venceu a primária da Pensilvânia e manteve sua campanha viva.[289] Em 6 de maio, uma vitória mais apertada do que o esperado na Indiana, juntamente com uma grande derrota na Carolina do Norte, acabaram com qualquer chance real de ganhar a indicação.[289] Prometeu permanecer concorrendo nas primárias restantes, mas cessou com os ataques contra Obama; como um conselheiro afirmou, "Ela podia aceitar perder. Ela não podia aceitar desistir."[289] Ela venceu em algumas das primárias remanescentes, e, de fato, ganhou mais delegados, estados e votos do que Obama nos últimos três meses da campanha, mas não conseguiu superar sua vantagem.[282]
Após o término das primárias, em 3 de junho, Obama havia ganhado delegados suficientes para ser considerado o candidato presuntivo.[290] Em um discurso diante de seus partidários em 7 de junho, suspendeu sua campanha e apoiou Obama.[291] Ao final da campanha, tinha ganhado 1 640 delegados comprometidos a apoiá-la, pouco menos do que os 1 763 de Obama;[292] neste momento, havia conquistado 286 superdelegados, e Obama 395;[293] quando Obama foi considerado o vencedor, a diferença de superdelegados pró-Obama aumentou para 438—256.[292] Os dois candidatos receberam mais de 17 milhões de votos populares cada,[nb 6] um recorde estabelecido por ambos.[294] Foi a primeira mulher a concorrer nas primárias ou caucus de todos os estados, a primeira a ganhar uma primária presidencial em um estado com direito a delegados na Convenção Nacional de um grande partido,[295] e tornou-se a mulher mais votada da história do país.[295] Fez um apaixonante discurso na Convenção Nacional Democrata apoiando Obama, para quem frequentemente fez campanha no outono até a eleição, quando ele foi eleito presidente.[296] A campanha da senadora terminou com severas dívidas; ela devia doze milhões de dólares para fornecedores externos e seu comitê devia treze milhões que haviam sido emprestados por ela mesma; no início de 2013, todas as dívidas com os fornecedores foram pagas e foi forçada pela legislação eleitoral a perdoar as dívidas que o comitê tinha com ela.[297]
Secretária de Estado dos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]
Nomeação e confirmação[editar | editar código-fonte]
Em meados de novembro de 2008, o presidente-eleito Obama e Hillary discutiram a possibilidade dela ser indicada Secretária de Estado em seu governo.[298] Ela estava inicialmente bastante relutante, mas, em 20 de novembro, disse a Obama que iria aceitar o cargo.[299] [300] Em 1º de dezembro, Obama anunciou formalmente que Hillary seria a sua candidata a secretária de Estado.[301] Hillary declarou que ela não queria deixar o Senado, mas que a nova posição representava uma "aventura difícil e excitante".[301] Como parte da nomeação, e, a fim aliviar as preocupações de conflito de interesses, Bill Clinton concordou em aceitar várias condições e restrições quanto suas atividades em curso e os esforços de arrecadação de fundos para a Fundação William J. Clinton e a Clinton Global Initiative.[302]
A audiência de confirmação na Comissão de Relações Exteriores do Senado começou em 13 de janeiro de 2009, uma semana antes da posse de Obama; dois dias mais tarde, a comissão aprovou a indicação por 16-1.[303] Nesta época, sua aprovação pessoal atingiu 65%, a mais alta desde o escândalo Lewinsky.[304] Em 21 de janeiro de 2009, foi confirmada no plenário do Senado por uma votação de 94–2.[305] Hillary tomou posse como Secretária de Estado em 21 de janeiro e renunciou ao Senado no mesmo dia.[306] Ela se tornou a primeira primeira-dama a servir no gabinete dos Estados Unidos.[307]
Primeira metade do mandato[editar | editar código-fonte]
Hillary passou seus primeiros dias como Secretária de Estado telefonando para dezenas de líderes mundiais e indicando que a política externa do país iria mudar de direção: "Temos um monte de danos para reparar."[308] Defendeu um papel mais amplo do Departamento de Estado em questões econômicas globais e citou a necessidade de um aumento da presença diplomática dos EUA, especialmente no Iraque, onde o Departamento de Defesa tinha realizado missões diplomáticas.[309] Em julho de 2009, anunciou a mais ambiciosa de suas reformas departamentais, a Revisão Quadrienal da Diplomacia e Desenvolvimento, que estabeleceu objetivos específicos para as missões diplomáticas no exterior; esta revisão foi modelada após um processo semelhante no Departamento de Defesa, que estava familiarizada graças a sua atuação no Comitê de Serviços Armados do Senado.[310] A primeira revisão foi emitida no final de 2010, e defendeu que o país liderasse por meio de um "poder civil" como uma maneira custo-efetiva para responder a desafios internacionais e desarmar crises.[311] Também procurou institucionalizar objetivos de capacitação das mulheres em todo o mundo.[177] Uma das causas que defendeu durante todo seu mandato foi a adoção de fogões no mundo em desenvolvimento, para promover um ambiente de preparação de alimentos mais limpo e correto, além de reduzir os perigos da fumaça para as mulheres.[299]
Em março de 2009, prevaleceu em relação ao vice-presidente Joe Biden em um debate interno para enviar mais 21 000 soldados para a Guerra do Afeganistão e apoiou o plano de Obama de adiar uma eventual retirada das tropas naquele país.[312] No mesmo mês, presenteou o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov com um "botão de reiniciar", simbolizando as tentativas dos EUA de reconstruir as relações com este país.[313] [314] A política, que ficou conhecida como o reinício Russo, levou a uma maior cooperação em várias áreas durante o mandato de Dmitry Medvedev como presidente, mas as relações se agravariam consideravelmente após o regresso de Vladimir Putin na presidência em 2012.[313] Em outubro de 2009, em uma viagem para a Suíça, sua intervenção superou as dificuldades de última hora e salvou a assinatura de um histórico acordo entre a Turquia e a Armênia, que estabeleceu relações diplomáticas e abriu a fronteira entre as duas nações que haviam tido relações hostis durante um longo período.[315] [316] No Paquistão, envolveu-se em várias raras discussões contundentes com alunos, apresentadores de talk show, e os anciãos tribais, em uma tentativa de reparar a imagem paquistanesa sobre os EUA.[175] [nb 7] A partir de 2010, ajudou a organizar um regime de isolamento diplomático e sanções internacionais contra o Irã, em um esforço para forçar a redução do programa nuclear daquele país; este plano acabaria por levar ao multinacional Plano de Ação Conjunto Integrado, acordado em 2015.[299] [318] [319]
Hillary e Obama mantiveram uma boa relação de trabalho sem lutas de poder; tornou-se uma incansável defensora do governo e teve o cuidado de que nem ela nem o marido ofuscassem o presidente.[320] [321] Formou uma aliança com o Secretário de Defesa Robert Gates e com a equipe de segurança nacional de Obama, resultando em bem menos discórdias do que em governos anteriores.[320] [322] Obama e Hillary se aproximaram em questões de política externa como um exercício em grande parte pragmático não-ideológico.[299] Eles encontravam-se semanalmente, mas não teve um relacionamento tão próximo e diário que alguns de seus antecessores tiveram com seus presidentes;[320] além disso, certas áreas-chave de políticas foram mantidos dentro da Casa Branca ou do Pentágono.[323] [324] Apesar disso, o presidente tinha confiança nas ações dela.[299]
Em um importante discurso em janeiro de 2010, fez analogias entre a Cortina de Ferro e a internet livre e a não-livre.[325] As autoridades chinesas reagiram negativamente ao discurso, que chamou atenção por ter sido a primeira vez que um alto funcionário norte-americano tinha claramente definido a internet como um elemento-chave da política externa do país.[326] Em julho de 2010, visitou a Coreia do Sul, Vietnã, Paquistão e Afeganistão, ao mesmo tempo que preparava-se para o casamento de sua filha Chelsea em 31 de julho, que atraiu muita atenção da mídia.[327] No final de novembro de 2010, liderou os esforços para controlar os danos causados pelo vazamento de telegramas diplomáticos dos EUA, que continham declarações e avaliações contundentes feitas pelo país e diplomatas estrangeiros.[328]
Segunda metade do mandato[editar | editar código-fonte]
A Revolução Egípcia de 2011 foi a maior crise de política externa durante o governo Obama.[329] Sua resposta pública rapidamente evoluiu de uma avaliação inicial de que o governo de Hosni Mubarak era "estável" para uma posição de que era preciso haver uma "transição ordenada a um governo participativo democrático", e a uma condenação da violência contra os manifestantes.[330] [331] Como os protestos da Primavera Árabe se espalharam por toda a região, esteve na vanguarda de uma resposta norte-americana para a crise, a qual reconheceu que era por vezes contraditória, uma vez que apoiava alguns regimes, mas era contra outros.[332] Quando a Guerra Civil Líbia iniciou, passou a ser favorável a uma intervenção militar naquele país, o queocorreu em março de 2011 e resultou na derrubada do governo de Muammar al-Gaddafi.[332] [333] [334] O pós Guerra Civil da Líbia viu o país se tornar um estado falido,[335] e as interpretações sobre a intervenção e o que ocorreu posteriormente se tornariam o tema de um amplo debate.[336] [337] [338]
Em abril de 2011, durante deliberações internas do círculo mais íntimo do presidente e de conselheiros sobre a possibilidade de ordenar que forças especiais dos EUA realizassem uma incursão no Paquistão contra Osama bin Laden, estava entre aqueles que a defenderam, argumentando que a importância de capturar bin Laden superava os riscos para a relação dos EUA com o Paquistão.[339] [340] Após a conclusão da missão em 2 de maio, o que resultou na morte de Bin Laden, desempenhou um papel fundamental na decisão do governo de não liberar fotografias do líder da Al-Qaedamorto.[341]
Em um discurso perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU em dezembro de 2011, declarou que "os direitos dos homossexuais são direitos humanos", e que os EUA iriam defender os direitos dos homossexuais e proteções legais de gays no exterior.[342] No mesmo mês, foi a primeira secretária de Estado a visitar Myanmar desde 1955. Em sua visita ao país, reuniu-se com a líder da oposição Aung San Suu Kyi e apoiou as reformas democráticas que aquele país estava implementando.[343] [344] Ela também declarou que o século XXI seria um "Século Americano Pacífico",[345] uma declaração que faz parte da política externa de Obama para o leste asiático.[346]
Durante a Guerra Civil Síria, Hillary e o governo Obama inicialmente tentaram persuadir o presidente sírio Bashar al-Assad a engajar-se nas reformas defendidas pelos manifestantes, mas, quando a violência do governo aumentou em agosto de 2011, pediram para que ele renunciasse.[347] O governo norte-americano se juntou a alguns países aliados na prestação de assistência não-letal para os rebeldes que se opõem ao governo Assad, bem como aos grupos de ajuda humanitária que trabalhavam no país.[348] Durante meados de 2012, em um contexto de aumento da violência na Síria, criou um plano com o diretor da CIA David Petraeus para fortalecer ainda mais a oposição. O plano consistia em armar a oposição e a treinar combatentes, mas a proposta foi rejeitada pela Casa Branca, que estava relutante em tornar-se enredada no conflito e temia que os extremistas escondidos entre os rebeldes poderiam virar as armas contra outros alvos.[343] [349]
Em 12 de setembro de 2012, a missão diplomática norte-americana em Benghazi foi atacada, resultando nas mortes do embaixador J. Christopher Stevens e de outros três norte-americanos. O ataque, questões sobre a segurança do consulado e diferentes explicações do acontecimento tornaram-se uma controversa política nos EUA.[350] Em 15 de outubro, assumiu a responsabilidade pelas falhas de segurança, e declarou que as diferentes explicações sobre o ataque resultaram de uma inevitável névoa da guerra.[350] [351] Em 19 de dezembro, uma investigação independente sobre o assunto foi publicada; o relatório foi fortemente crítico aos funcionários do Departamento de Estado em Washington por ignorarem pedidos de mais pessoal e atualizações de segurança, e por não adaptarem os procedimentos de segurança.[352] Como consequências, quatro funcionários do Departamento de Estado foram demitidos, e Hillary declarou que aceitou as conclusões da investigação (encomendada por ela mesma) e que as recomendações sugeridas seriam atendidas.[353] [352] Em 23 de janeiro de 2013, durante um depoimento a um inquérito do Congresso, defendeu suas ações em resposta ao incidente, e, ao mesmo tempo que aceitou formalmente a responsabilidade, afirmou que não tinha tido nenhum papel direto nas discussões anteriores a respeito da segurança do consulado.[354] Congressistas republicanos a desafiaram em vários pontos, nos quais, em algumas vezes, respondeu com raiva ou emoção. Em particular, após questionamento persistente do senador republicano Ron Johnson sobre as alegações de que Susan Rice havia enganado intencionalmente o público, respondeu, elevando a voz: "Com todo o respeito, o fato é que tivemos quatro americanos mortos. Se foi por causa de um protesto ou porque uns caras decidiram matar alguns americanos? Que diferença isso faz a esta altura? É nosso trabalho entender o que aconteceu e fazer o que pudermos para impedir que isso aconteça de novo, senador."[354] [355]
Durante o seu período como Secretária de Estado dos Estados Unidos, e como seu discurso de despedida concluiu, viu um poder inteligente como estratégia para afirmar a liderança e os valores dos EUA – em um mundo de ameaças variadas, governos centrais enfraquecidos, e organizações não-governamentais cada vez mais importantes –, combinando o poder duro militar com a diplomacia norte-americana e o poder brando na economia global, ajudando no desenvolvimento, tecnologia, criatividade e em defesa dos direitos humanos.[334] [356] Desta forma, se tornou a primeira secretária de estado a implementar a abordagem metódica do poder inteligente.[357] Em debates sobre o uso da força militar, era geralmente uma das vozes mais "gavião de guerra" do governo.[322] [358] Expandiu enormemente o uso de mídias sociais no Departamento de Estado, incluindo o Facebook e o Twitter.[334] E, durante os tumultos no Oriente Médio, particularmente viu uma oportunidade de avançar um dos temas centrais de seu mandato, o empoderamento e o bem-estar de mulheres e meninas em todo o mundo.[177] Além disso, em uma formulação que ficou conhecida como a "Doutrina Hillary", viu os direitos das mulheres como fundamentais para os interesses de segurança dos EUA, devido a uma ligação entre o nível de violência contra as mulheres e a desigualdade de gênero dentro de um estado com a instabilidade e os desafios para a segurança internacional daquele estado.[359] [321]Por sua vez, como resultado de suas ações e visibilidade, houve uma tendência das mulheres em todo o mundo a encontrar mais oportunidades, e, em alguns casos, sentiram-se mais seguras.[360]
Hillary visitou 112 países em seu período como chefe da diplomacia norte-americana, tornando-se assim a secretária de estado que viajou para mais países.[361] [nb 8] No início de março de 2011, indicou que não estava interessada em continuar como secretária de estado se Obama fosse reeleito em 2012;[333] em dezembro de 2012, após a reeleição, Obama nomeou o senador John Kerry para sucedê-la, o que ocorreu em 1º de fevereiro de 2013.[364] [365] Após o término de seu mandato, analistas comentaram que seu período no Departamento de Estado não trouxe qualquer assinatura de avanços diplomáticos como outros secretários de Estado haviam feito,[323] [324] e destacaram o seu foco em objetivos que ela pensava que eram menos tangíveis, mas teriam efeitos mais duradouros.[366]
Publicações[editar | editar código-fonte]
Como primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton publicou uma coluna no Syndicate (imprensa), intitulada de "Talking It Over" (Conversando sobre isso) de 1995 a 2000, distribuído pelo Creators Syndicate.[367] Na qual ela falava sobre suas experiências que teve em viagens por todo o mundo, o tema era mulheres, crianças e famílias.[2]
Em 1996, Clinton apresentou sua visão sobre o livro It Takes a Village. O livro estrou na lista de Best Seller do New York Times e Clinton recebeu o Prêmio Grammy de Melhor Álbum Falado,em 1997, pela gravação de áudio do livro.[368]
Outros livros lançados por Clinton quando ela era primeira-dama incluem Dear Socks, Dear Buddy: Kids' Letters to the First Pets (1998) e An Invitation to the White House: At Home with History (2000). Em 2001, ela escreveu um posfácio sobre o livro infantil Beatrice's Goat.[369]
Em 2003, Clinton lançou uma autobiografia de 562 páginas, intitulado de Living History. Na expectativa de vendas elevadas, a editora Simon & Schuster pagou a Clinton um quase recorde de 8 milhões de dólares [370] O livro teve recorde de vendas durante a primeira semana para um trabalho de não-ficção,[371] passou a vender mais de um milhão de cópias no primeiro mês seguinte da publicação,[372] e foi traduzido para doze línguas.[373] A gravação de áudio do livro de Clinton lhe rendeu uma indicação para o Prêmio Grammy de Melhor Álbum.[374]

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