Em entrevista ao Jornal do SBT, Lula afirmou que duvida que alguém diga algo contra ele
SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não teme ser preso, por que nunca teria mantido nenhuma conversa que desrespeitasse a lei com qualquer pessoa.
“Não temo ser preso, porque eu duvido que tenha alguém nesse país, do pior inimigo ao melhor amigo, que diga que um dia teve conversa ilícita comigo. Tenho minha consciência tranquila”, disse o petista, em entrevista ao Jornal do SBT veiculada nesta quinta-feira (5). A entrevista foi ao ar no momento em que as investigações da Polícia Federal envolvem dois filhos, uma nora e um dos melhores amigos do ex-presidente, o empresário José Carlos Bumlai. As investigações correm tanto pela Operação Lava Jato, cujo centro é um esquema bilionário de corrupção na Petrobras, quanto pela Operação Zelotes, que apura favorecimentos fiscais indevidos a empresas.
Sobre os escândalos de corrupção que envolvem a Petrobras, Lula destacou que foi o presidente que mais visitou a estatal na história, mas negou que tivesse sido avisado, durante seus dois mandatos, de qualquer irregularidade na estatal.
“Nunca ninguém me disse que tinha algum roubo. Eu não fui alertado pela digníssima imprensa, nem pela Polícia Federal, nem pelo Ministério Público de que tinha alguém corrupto. Essas coisas, você descobre quando denunciam, ou quando a quadrilha cai”.
Ao ser indagado sobre a Operação Zelotes, e o suposto envolvimento de seu filho, Luiz Cláudio Lula da Silva, o ex-presidente o defendeu e reforçou que um de seus orgulhos é que, em 13 anos de gestão do PT, a Polícia Federal e o Ministério Público tiveram liberdade para investigar e que os instrumentos de investigação se tornaram mais transparentes e modernos.
“Há mais liberdade da Polícia Federal e autonomia do Ministério Público. Isso não acontecia há 15 anos. Permitimos isso, porque combater a corrupção é obrigação, não é mérito”, defendeu Lula. “O melhor patrimônio que minha mãe me deixou é o direito de andar de cabeça erguida”, completou.
Críticas a FHC
Durante a entrevista, Lula não poupou críticas ao seu antecessor no comando do governo federal,Fernando Henrique Cardoso. Ele explicou que, “toda vez que for falar de corrupção, o tucano deveria se lembrar da eleição de 1996”, referindo-se às acusações de que a aprovação da emenda que permitiu a reeleição de FHC foi comprada. O petista criticou também a falta de transparência e de investigações em relação aos escândalos,de corrupção que surgiram durante na gestão do peessedebista.
Além disso, Lula acusou FHC de ser soberbo com ele. “Ele sofre com o meu sucesso. Ele imaginava que o Lula era um coitadinho metalúrgico. Pensava que eu ia ganhar, não daria certo e que ele voltaria ao poder em 2006”, contou o petista. “Mas meu governo se tornou algo admirado por todo o mundo, porque tivemos a maior inclusão social desse país. Estamos vivendo um momento de muita acidez política, as pessoas perderam a tolerância”, lamentou.
Análise
As declarações do ex-presidente não surpreenderam Roberto Romano, professor de ética da Unicamp, que destacou que, no mundo moderno, não existe mais a indestrutibilidade da pessoa pública.
“Lula é mestre na arte de fazer de si mesmo um mártir. Ele explorou isso de uma maneira fantástica. O PT deixou o (José) Dirceu ser preso, o (José) Genoíno, o Delúbio (Soares), o (João) Vaccari Neto. Ele continua sendo a menina dos olhos do PT”, avaliou Romano. “A vitimização é uma chantagem eleitoral que não rende tanto. Esse papel não está mais convencendo”, emendou.
Sem respostas
Ao sair de evento fechado para a imprensa, FHC manteve silêncio sobre as declarações de Lula ao Jornal do SBT. Durante palestra, o tucano teria adotado discurso diplomático e evitou fazer críticas ao governo.
"Como sempre, FHC foi muito polido. Com discurso positivo, garantiu que o país passará por essa crise e não fez nenhum julgamento sobre o governo atual", confidenciou uma das convidadas. "Ele incentivou as pessoas a empreenderem e afirmou que isso terá contribuição direta para que o país retorne ao caminho do crescimento", emendou.
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