segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Os benefícios e riscos da reposição hormonal


                                   Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein



                                 
                                              
A terapia ajuda a reduzir os sintomas da menopausa e o ritmo das mudanças relacionadas ao envelhecimento. Mas há riscos que precisam ser avaliados.



Passam-se os anos, multiplicam-se os estudos, e a terapia de reposição hormonal permanece um tema polêmico, gerando dúvidas entre as mulheres. Há os que defendem a reposição hormonal como um recurso que vai resolver todos os sintomas da menopausa, evitar doenças cujos riscos aumentam com a redução do estrógeno (hormônio feminino) e retardar o envelhecimento da pele, entre outros. No lado oposto estão os que a condenam com veemência, como potencializadora de males como câncer de mama, infarto e derrame. Há mitos e verdades nesses dois territórios. Portanto, o que deve prevalecer é a posição de equilíbrio, que passa ao largo de radicalismos e se apoia em evidências científicas.
Embora algumas mulheres façam uma transição tranquila para a menopausa, boa parte sofre com as mudanças físicas, metabólicas e neuropsíquicas. Sintomas como ondas de calor, irritabilidade e quadros depressivos podem emergir ainda na pré-menopausa. Depois, aparecem outros: alterações na textura e tônus da pele e atrofia das mucosas, com ressecamento vaginal e maior suscetibilidade a infecção urinária, perda da libido, insônia e dores nas articulações. A redução do hormônio estrógeno também pode favorecer doenças cardiovasculares e perda óssea (osteopenia e osteoporose), apesar de ainda não haver estudos conclusivos sobre os efeitos da reposição hormonal para tratar esses males.
Embora algumas mulheres façam uma transição tranquila para a menopausa, boa parte sofre com as mudanças físicas, metabólicas e neuropsíquicas.
Inúmeras outras pesquisas, porém, são definitivas ao apontar os benefícios da terapia hormonal para atenuar sintomas e desacelerar as transformações relacionadas à menopausa. As Sociedades Norte-Americana de Menopausa e Brasileira do Climatério, por exemplo, recomendam a suplementação de hormônio para minimizar as ondas de calor, o envelhecimento da pele e a atrofia urogenital. Os geriatras apontam que a mulher de vida saudável que recebe um tratamento hormonal adequado chega aos 60 anos com menos doenças típicas da idade.
A terapia é contra-indicada para mulheres com histórico de câncer de mama ou endométrio, trombose, distúrbios de coagulação sanguínea, infarto e sangramento genital de causa desconhecida. Na mulher com útero, associa-se estrogênio e progestagênio, pois o uso isolado do estrogênio eleva o risco de câncer de endométrio. É importante ainda observar o tempo de tratamento. Segundo o estudo norte-americano Women’s Health Iniciative, após 5 anos aumenta o risco de câncer de mama e doenças cardiovasculares.
A maioria das mulheres colherá ganhos importantes com a terapia hormonal, feita com critério e acompanhamento médico. Mas haverá casos em que isso será contra-indicado. Não há uma resposta universal aplicável a todas as mulheres e cada uma deve ser avaliada de forma personalizada. Definir caso a caso os benefícios e riscos de acordo com o histórico de cada paciente é a melhor forma de se posicionar a favor ou contra a terapia de reposição hormonal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário