Uma breve história sobre a origem de Hollywood
Cinema

segunda-feira, 26 de março de 2012
chinaski
A capital do cinema dos Estados Unidos, senão do mundo, é Los Angeles, Califórnia, mais especificamente,
Hollywood.
Mas alguém sabe como foi que nasceu Hollywood? Alguns dos primeiros
estúdios de Hollywood abriram por volta de 1915, a terra era barata e a
mão de obra era abundante. Toda a área precisava de uma indústria, e a
indústria dos filmes fez muito sentido. Ah, e havia uma outra razão para
a indústria do cinema fazer o seu caminho do oeste. Los Angeles estava
longe de New Jersey. E
Thomas Edison estava em Nova Jersey.

Hollywood em 1900. O Land
caiu num terremoto foi tirado…
Edison, ao longo de sua carreira, realizou mais de 1.000 patentes nos
Estados Unidos. Ele foi creditado por inventar uma caralhada de
dispositivos tecnológicos, da
lâmpada incandescente ao
fonógrafo. Ele também teve um papel importante na invenção do
cinetoscópio, uma câmera de filme precoce (Embora a maior parte do trabalho tenha sido feito por
William Kennedy Dickson,
um empregado de Edison). E durante o final do século 19 e o início do
século 20, ele realizou muitas das patentes sobre as tecnologias
necessárias para se criar filmes. Mas Edison aparentemente usava essas
patentes como um porrete. E batia forte.

Edison em seu laboratório.
Por Edison ter registrado tantas patentes, e por essas patentes serem
aplicadas tanto na criação de filmes quanto na tecnologia utilizada
para construir as salas de cinema, ele foi capaz de persuadir outros
detentores de patentes a formar uma associação que ele lideraria.
Juntas, essas empresas formaram o
Motion Picture Patent Company. A página na Wikipedia da
MPPC resume bem como a empresa executava suas patentes. Thomas Edison e a
MPPC também estabeleceram um monopólio sobre todos os aspectos do cinema.
Eastman Kodak (Fundador da recém-falida
Kodak),
que detinha a patente sobre os rolos de filmes e era naquela altura o
dono da única empresa a produzi-los, era um membro do MPPC e só vendia
os rolos para as produtoras que fizessem parte da associação. O MPPC
controlava desde as patentes sobre as câmeras de cinema, assim como a
produção dos rolos de filme, até os estúdios que faziam os filmes e
detinha também as patentes sobre projetores. Assim, o MPPC tinha também
como forçar acordos de licenciamento com os distribuidores e teatros, e
determinar quem exibiria os filmes e onde.

Edison e seu ajudante testando a primeira
Tecpix.
Resumindo: Se você queria estar no negócio do cinema, você tinha que
pagar pro Thomas Edison. E Edison (através do MPPC) não era de recuar. A
empresa levava para os tribunais quem quer que fosse contra as suas
vontades, e impedia o uso não-autorizado de tudo, desde câmeras para
projetores, e em muitos casos, os próprios filmes. De acordo com
Steven Bach (Em seu livro
Final Cut),
o MPPC até mesmo chegou ao cúmulo de contratar capangas da máfia para
fazer valer as patentes extra-judicialmente. Quem contrariava Thomas
Edison pagava caro. Mas o respeito de Edison aos direitos de propriedade
intelectual eram uma rua de mão única. Em 1902, os homens de Edison
subornaram um proprietário de um teatro em Londres para obterem
ilegalmente uma cópia de
A Viagem à Lua, do cineasta francês
Georges Melies (Essa história infelizmente não foi lembrada no filme
A invenção de Hugo Caibret,
vai lá saber porque). O primeiro filme de ficção cientifica da história
e um dos melhores filmes de todos os tempos foi comprado por apenas
10.000 francos. Então, Thomas Edison, a fim de fazer valer o seu
investimento, fez centenas de cópias do filme e os vendeu a si mesmo.
Claro, sem pagar Melies. Melies acabou indo à falência. E o MPPC
distribuiu nos USA o filme, ficando com todos os lucros.

Uma das imagens mais icônicas da história do cinema e seu criador.
A industria cinematográfica nos USA estava fadada a ter o mesmo
destino. Muitos na indústria do cinema, conhecidos como “independentes”,
escolheram uma terceira opção: Fugir. E assim a Califórnia fez muito
sentido, pois estava em uma área onde os juízes eram menos amigáveis
para as patentes concedidas a Edison e companhia. E também porque seria
muito mais complicado mandar quebrar as pernas de alguém do outro lado
do país. Os que ficaram na costa leste ou foram a falência ou investiram
seu tempo, dinheiro e criatividade em outra coisa: As peças de teatro.
Nascia também a
Broadway como a conhecemos. Já
Hollywood nasceu de um desejo de evitar as reclamações intelectuais de
propriedade de Thomas Edison e sua MPPF, e rapidamente se tornou a
capital mundial da indústria cinematográfica. Escaparam por pouco. Sem a
fuga para Hollywood, a industria cinematográfica como todos nós
conhecemos nunca teria existido. Mas o que isso tudo significa?

Isso significa que Edison foi o primeiro pirata. E exigia que ninguém
o passasse a perna. E Hollywood nasceu da pirataria. E agora, quer nos
proibir de
piratear baixar seus filmes, mesmo sabendo que não se
fazem mais necessários os custos de produção de DVDs, apenas das obras
em si (Filmagens, roteirização, edição, atores, etc). Piratear pode
levar realmente alguém a falência, como foi no caso de Melies. Mas tudo
isso é muito diferente do que vem acontecendo hoje em dia. Assistir
filmes pirateados é errado, sem sombra de dúvida. Mas a própria
Hollywood nasceu para escapar das amarras dos direitos autorais. E
agora, cerca de 100 anos depois, as associações dos estúdios
hollywoodianos tenta implantar uma perseguição sem piedade a todos que
baixam seus filmes de forma irregular, burlando o pagamento de direitos
autorais. Realmente, não deve existir uma outra situação melhor do que
essa pra
plagiar ilustrar o velho ditado: “
Pimenta no cu dos outros é refresco”.
Movido pela ganância, Thomas Edison quase destruiu o cinema antes mesmo
de seu nascimento. E agora, Hollywood tenta fazer o mesmo.

Os pioneiros de Hollywoodland,
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