Os Khebez Dawle são uma banda de indie-rock da Síria. A opressão e as bombas - o baterista foi morto - fizeram com que se mudassem, em 2013, para Beirute, no Líbano. Já este ano, em finais de agosto, e tal como milhares de seus compatriotas, decidiram procurar uma vida melhor na Europa.
Venderam os instrumentos e cada um pagou mil euros para garantir um lugar num pequeno barco de borracha que os levou da Turquia até à ilha grega de Lesbos. Nas últimas semanas têm caminhado com o sonho de chegar a Berlim.
Na Croácia foram surpreendidos pelo altruísmo dos locais que lhes puseram instrumentos nas mãos e lhes arranjaram alguns concertos. Há poucos dias chegaram a Viena, na Áustria, onde também tocaram sexta e sábado.
Anas Maghrebi, vocalista e compositor dos Khebez Dawle (pronuncia-se qualquer coisa como "rrêbez daulé"). O músico sírio fala-nos de esperança. E da bondade que tem sentido nos olhos dos europeus: "A minha crença nos humanos tem crescido muito".
Sofria qualquer tipo de pressão ou censura na Síria pelo facto de ser músico? Absolutamente. Aliás, o nosso disco até foi gravado e lançado no Líbano. Esta música e estas letras não podem ser editadas na Síria enquanto aquele regime estiver a controlar. Nós somos um bocado críticos mas nem é sequer uma crítica extrema. Só que, na Síria, se tu desafias as pessoas para pensarem e para libertarem os seus sentimentos e ideias, isso é mais do que suficiente para o governo encarar-te como um inimigo e não autorizar-te que digas isso às pessoas. É simples: eles não querem que as pessoas pensem. Nós éramos obrigados a ter várias autorizações das forças de ordem ou do ministério da cultura, etc. Se os artistas quisessem dar ou organizar um pequeno concerto e eles vissem que havia uma mínima coisa de que não gostavam, simplesmente cancelavam o concerto.
Como é a cena indie rock na Síria? Havia um grande movimento underground da cena indie, ou como lhe queiram chamar, mas estava todo abafado nas caves. Era tudo invisível. E isto porque, tal como lhe disse, não podíamos expressar-nos da forma que queríamos. Os média estavam estritamente controlados pelo governo. As salas de concertos também. Havia muitos artistas, muita gente criativa com boas ideias. Mas ficava tudo confinado às caves ou fechado nas gavetas porque simplesmente não podiam ser ditos em voz alta.
Como conseguiram chegar à Europa? No final de agosto, fomos para Istambul onde nos encontramos com uma pessoa que nos levou para a zona de Izmir. Aí ficámos uma noite ao relento na floresta e de manhã entramos para dentro de um pequeno barco de borracha e pusemo-nos ao mar. Cerca de uma hora depois chegamos a Lesbos, uma ilha grega. A travessia de barco até foi fácil. Éramos apenas 16 a bordo e eles normalmente costumam lá meter mais de 40 pessoas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário