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| O Álcool e a Dependência |
Educação
e Saúde
O
álcool e a dependência
O
uso do álcool é estimulado pela sociedade, tem uma grande aceitação entre as
pessoas, está presente em festas e comemorações diversas, mas é uma droga
psicotrópica que atua no sistema nervoso causando alteração de comportamento e
levando a dependência física.
Conforme a Organização Mundial da
Saúde, o diagnóstico de alcoolismo, ou
dependência do álcool, é uma doença
que apresenta quatro sintomas: compulsão
- a
necessidade ou urgência para beber; perda
do controle - uma vez que começa, não consegue parar de beber; tolerância - necessidade de beber
quantidades maiores para obter o mesmo efeito; dependência física - sintomas de abstinência (tremor, náuseas,
ansiedade, suores). Esses
elementos interferem na vida pessoal, familiar, social e profissional desse
dependente químico. O alcoolismo tem pouco haver com o tipo de álcool que é
bebido, há quanto tempo que esse indivíduo bebe ou até mesmo a quantidade que é
bebida, mas tem muito haver com uma necessidade incontrolável de beber.
Alguns aspectos determinam o
alcoolismo, existem evidências de envolvimento genético em certas famílias
acometidas, em gêmeos univitelinos e até nos filhos de alcoólatras adotados por
casais que não bebem, mas que desenvolveram essa dependência. Não
necessariamente um filho de alcoólatra terá alcoolismo. São importantes ainda a
estrutura psíquica, fatores ambientais e culturais.
No Brasil, estima-se que entre
10-20% da população sofra desse mal. Em estudos brasileiros, foram
identificados sinais de embriaguês ou confirmação do uso de álcool em pessoas
envolvidas em acidentes de trânsito, 22,3% dos condutores, 21,4% de pedestres e
17,7% dos passageiros. Estudos internacionais mostram a influência alcoólica em
mais de 50% dos casos de assassinatos e também em estupros e agressões.
O álcool compromete áreas cerebrais relacionadas à
aprendizagem, a motivação e autocontrole. É considerada uma droga depressora e
seus efeitos principais são a sonolência, tonturas, distúrbios do sono,
náuseas, vômitos, fala incompreensível, comprometimento dos reflexos e ressaca,
mas existe um período inicial onde ocorre euforia e desinibição.
O uso crônico do álcool eleva o risco de câncer na boca,
esôfago, faringe, fígado e vesícula biliar. Pode causar hepatite, cirrose, gastrite
e úlcera, danos cerebrais irreversíveis, desnutrição, doenças do coração e
aumento da pressão arterial. Na gestação causa má formação do feto. Os efeitos
psicológicos e do comportamento são a perda da inibição, alteração do humor,
perda da memória, problemas familiares e na vida profissional, comportamento
violento, depressivo e até mesmo suicídio,
Existem
“alertas” indicando se o consumo de álcool é um problema para você e merece
atenção especial, são eles: se prefere beber sozinho; se tem se prejudicado na
escola ou trabalho; se bebe para fugir dos problemas; se ocorrem perdas de
memória ou períodos de “brancos” devido à bebida; ao beber, comete sempre
excessos mesmo não querendo; se precisa beber cada vez mais para obter o mesmo
efeito; se já ocorreu envolvimento em problemas com a lei.
O padrão de abuso de álcool é identificado
por: incapacidade de cumprir obrigações importantes (faltas ao trabalho, á
escola, quebra de rendimento); abuso recorrente em situações fisicamente
perigosas (dirigir um automóvel, manobrar uma máquina); problemas legais
relacionados com comportamentos em estado de embriaguez (brigas, agressões,
condução com álcool); a pessoa continua a beber abusivamente apesar dos
problemas sociais e pessoais causados pelo álcool (dificuldades conjugais,
divórcio, perda do emprego ou ano escolar).
O
alcoolismo não se dá de forma imediata, geralmente se torna um hábito e depois desempenha
um papel de destaque na vida do sujeito. O comportamento se deteriora de forma
que amigos e familiares podem perceber os sintomas da embriaguez, alterações
drásticas do humor e, depois da ingestão de álcool, aparece a ressaca moral.
Pode
indicar alcoolismo em potencial ou em curso se o indivíduo começa a beber pela
manhã, faz tentativas de parar sem sucesso; apresenta ressentimento com as
pessoas que tentam alertá-lo; inicia problemas domésticos e não consegue lembrar-se
de alguns momentos enquanto está sob efeito do álcool.
O
alcoólatra sempre acha que pode parar de beber quando quiser, nega qualquer
problema relacionado ao álcool e nega o alcoolismo.
O
tratamento é variado, dependendo de cada caso e da gravidade da dependência
física, é necessário suporte psicológico e social, destacando os grupos de
ajuda como de grande importância na recuperação do dependente alcoólico.
Sabemos
dos malefícios do álcool, um problema de saúde pública, um ônus para a
sociedade como causa de doenças, acidentes e seqüelas. Inúmeras campanhas na
mídia alertam para “beber e não dirigir”, mas continuam sendo permitidas
propagandas espetaculares com celebridades e paisagens incríveis estimulando o
consumo da bebida alcoólica!
“No início você toma uma bebida, depois a bebida toma uma
bebida, depois a bebida toma-o a si”. F. Scott
Fitzgerald.
Dra
Diva Leonor Monteiro – médica clínica pela Sociedade Brasileira de Clínica
Médica

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