sábado, 3 de outubro de 2015

O Álcool e a Dependência (Drª Diva Monteiro)



O Álcool e a Dependência

Educação e Saúde
O álcool e a dependência

O uso do álcool é estimulado pela sociedade, tem uma grande aceitação entre as pessoas, está presente em festas e comemorações diversas, mas é uma droga psicotrópica que atua no sistema nervoso causando alteração de comportamento e levando a dependência física. 

Conforme a Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico de alcoolismo, ou dependência do álcool, é uma doença que apresenta quatro sintomas: compulsão - a necessidade ou urgência para beber; perda do controle - uma vez que começa, não consegue parar de beber; tolerância - necessidade de beber quantidades maiores para obter o mesmo efeito; dependência física - sintomas de abstinência (tremor, náuseas, ansiedade, suores). Esses elementos interferem na vida pessoal, familiar, social e profissional desse dependente químico. O alcoolismo tem pouco haver com o tipo de álcool que é bebido, há quanto tempo que esse indivíduo bebe ou até mesmo a quantidade que é bebida, mas tem muito haver com uma necessidade incontrolável de beber.
Alguns aspectos determinam o alcoolismo, existem evidências de envolvimento genético em certas famílias acometidas, em gêmeos univitelinos e até nos filhos de alcoólatras adotados por casais que não bebem, mas que desenvolveram essa dependência. Não necessariamente um filho de alcoólatra terá alcoolismo. São importantes ainda a estrutura psíquica, fatores ambientais e culturais.
No Brasil, estima-se que entre 10-20% da população sofra desse mal. Em estudos brasileiros, foram identificados sinais de embriaguês ou confirmação do uso de álcool em pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, 22,3% dos condutores, 21,4% de pedestres e 17,7% dos passageiros. Estudos internacionais mostram a influência alcoólica em mais de 50% dos casos de assassinatos e também em estupros e agressões.
O álcool compromete áreas cerebrais relacionadas à aprendizagem, a motivação e autocontrole. É considerada uma droga depressora e seus efeitos principais são a sonolência, tonturas, distúrbios do sono, náuseas, vômitos, fala incompreensível, comprometimento dos reflexos e ressaca, mas existe um período inicial onde ocorre euforia e desinibição.
O uso crônico do álcool eleva o risco de câncer na boca, esôfago, faringe, fígado e vesícula biliar. Pode causar hepatite, cirrose, gastrite e úlcera, danos cerebrais irreversíveis, desnutrição, doenças do coração e aumento da pressão arterial. Na gestação causa má formação do feto. Os efeitos psicológicos e do comportamento são a perda da inibição, alteração do humor, perda da memória, problemas familiares e na vida profissional, comportamento violento, depressivo e até mesmo suicídio,
Existem “alertas” indicando se o consumo de álcool é um problema para você e merece atenção especial, são eles: se prefere beber sozinho; se tem se prejudicado na escola ou trabalho; se bebe para fugir dos problemas; se ocorrem perdas de memória ou períodos de “brancos” devido à bebida; ao beber, comete sempre excessos mesmo não querendo; se precisa beber cada vez mais para obter o mesmo efeito; se já ocorreu envolvimento em problemas com a lei.
 O padrão de abuso de álcool é identificado por: incapacidade de cumprir obrigações importantes (faltas ao trabalho, á escola, quebra de rendimento); abuso recorrente em situações fisicamente perigosas (dirigir um automóvel, manobrar uma máquina); problemas legais relacionados com comportamentos em estado de embriaguez (brigas, agressões, condução com álcool); a pessoa continua a beber abusivamente apesar dos problemas sociais e pessoais causados pelo álcool (dificuldades conjugais, divórcio, perda do emprego ou ano escolar).
O alcoolismo não se dá de forma imediata, geralmente se torna um hábito e depois desempenha um papel de destaque na vida do sujeito. O comportamento se deteriora de forma que amigos e familiares podem perceber os sintomas da embriaguez, alterações drásticas do humor e, depois da ingestão de álcool, aparece a ressaca moral.
Pode indicar alcoolismo em potencial ou em curso se o indivíduo começa a beber pela manhã, faz tentativas de parar sem sucesso; apresenta ressentimento com as pessoas que tentam alertá-lo; inicia problemas domésticos e não consegue lembrar-se de alguns momentos enquanto está sob efeito do álcool.
O alcoólatra sempre acha que pode parar de beber quando quiser, nega qualquer problema relacionado ao álcool e nega o alcoolismo.
O tratamento é variado, dependendo de cada caso e da gravidade da dependência física, é necessário suporte psicológico e social, destacando os grupos de ajuda como de grande importância na recuperação do dependente alcoólico.
Sabemos dos malefícios do álcool, um problema de saúde pública, um ônus para a sociedade como causa de doenças, acidentes e seqüelas. Inúmeras campanhas na mídia alertam para “beber e não dirigir”, mas continuam sendo permitidas propagandas espetaculares com celebridades e paisagens incríveis estimulando o consumo da bebida alcoólica!
“No início você toma uma bebida, depois a bebida toma uma bebida, depois a bebida toma-o a si”.  F. Scott Fitzgerald.

Dra Diva Leonor Monteiro – médica clínica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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